Se as reportagens estiverem corretas, isto é um aviso sério sobre como não deve funcionar a diplomacia numa democracia. Negociar com a Rússia — sobretudo enquanto ela invade e ocupa outro país — exige transparência, coordenação com os aliados e respeito pela soberania ucraniana. Enviar o diretor da CIA a Moscovo sem informar conselheiros de segurança nem parceiros militares, ou pedir à Ucrânia que suspenda ações defensivas durante visitas secretas, soa a manobra de bastidores que fragiliza a NATO e deixa a Ucrânia mais vulnerável. Diplomacia pode e deve procurar reduzir a escalada, mas não pode transformar-se em apaziguamento às escondidas nem em trocas que penalizem quem está a sofrer a agressão. Se houve contactos, o Congresso e os aliados devem ser informados com urgência; é fundamental haver supervisão, prestação de contas e clareza sobre o que foi oferecido ou pedido. Ao mesmo tempo, não podemos perder de vista as vítimas: defesa de princípios democráticos, apoio humanitário e sanções eficazes continuam a ser necessários para pressionar a Rússia a pôr fim à guerra.