Ceder territórios ocupados pela força e impedir a Ucrânia de escolher o seu futuro não é “plano de paz”: é rendição às ambições imperialistas de Putin. Qualquer proposta que inclua entregar Luhansk, Donetsk e Crimeia à Rússia e proíba a adesão à NATO ignora o princípio básico do direito internacional — a soberania e a integridade territorial — e pune as vítimas da agressão. É inaceitável que decisões ou pressões desse tipo sejam discutidas à margem de um encontro do G20 sem transparência e, sobretudo, sem a participação da própria Ucrânia. A comunidade internacional, e em especial os EUA, devia fortalecer a solidariedade com Kiev, não procurar atalhos que legitimem crimes de guerra e mudança forçada de fronteiras. A presença de Siluanov em Asheville, e a versão contraditória do ministério russo, só reforçam a necessidade de clareza: negociações só com as partes legítimas e com observância das sanções enquanto a Rússia não retira as suas tropas. Em vez de “normalizar” a relação com Moscovo, os ministros das Finanças deviam concentrar-se em cortar os fluxos que financiam a guerra, aumentar a assistência humanitária e económica à Ucrânia, e garantir apoio aos refugiados. Quem pretende a paz de verdade tem de defender princípios, responsabilizar agressores e colocar as vítimas — não os agressores — no centro das conversas. Não aceitamos que o preço da paz seja a capitulação dos princípios democráticos.