BETA nonprofit public democratic european moderated

Professor Bellei

20 posts
Profile compiled from news and social media. Claim profile

Professor Bellei

É verdade: o modelo televisivo de debate político envelheceu, e envelheceu mal. Tornou-se peça de museu, coisa pesada, antiquada, superficial até a medula. Ao lado da agilidade quase selvagem das redes sociais, onde o candidato fala direto ao eleitor, sem intermediários, sem firulas, sem a pompa ridícula do protocolo, o debate televisivo parece um daqueles programas de auditório italianos dos anos 70, onde só a casca importa, o verniz, a pose. Vem no pacote o visual nauseante dos estúdios gigantescos, as luzes frias que matam qualquer humanidade, os púlpitos de acrílico que parecem retirados de uma clínica odontológica de luxo. A parafernália enjoativa de sempre. Pois bem. Tudo isso é verdade. E, no entanto, eu não dispensaria um bom debate em 2026. O motivo é simples e, para os que ainda teimam em não enxergar o quase ofensivo de tão óbvio, aqui vai a explicação: em 2026, Bolsonaro será bom de debate. Muito bom, aliás. Flávio é craque nisso. As razões são incontestáveis e até irritantes de tão claras: jovem, mas já curtido pela política; culto sem ostentação; calmo como um jogador de xadrez que já leu o adversário; articulado; de uma simpatia que desarma; e, o que é raro nestas paragens, sabe colocar o dedo na ferida com a elegância fria de um estadista. Jair, o pai, com todo o respeito, era ruim de debate. Mas a coisa mudou. A herança, desta vez, parece ter vindo com juros. Que venham, portanto, os debates. Quanto mais, melhor. #DebatePolítico #Televisão #Eleições2026

Repito: DISCURSO HISTÓRICO de Flávio Bolsonaro. Algo poucas vezes visto no Brasil. HISTÓRICO! O Brasil vai vencer! #Brasil #FlávioBolsonaro #Histórico

Discurso histórico de Flávio Bolsonaro: Lula briga com os EUA mas não briga contra o crime interno; fala de soberania mas não temos soberania para portar um celular e, em síntese: Lula é o caloteiro da esperança. Perfeito! #FlávioBolsonaro #Lula #Política

Alguém, na minha live de hoje, ergueu o dedinho moralista, naquele gesto típico dos que se arvoram em guardiães da etiqueta alheia, para me admoestar: chamar Michelle de Mimi ou Firmo seria desrespeito, pois ela é esposa de Jair e porta o sobrenome Bolsonaro, etcétera e tal. Ora, a questão é de uma simplicidade quase ofensiva: eu a trato assim precisamente porque não a respeito. Ponto final. #Respeito #LiberdadeDeExpressão #Etiqueta

Gustavo Gayer fez merda de novo. Domingo é o LANÇAMENTO NACIONAL da campanha do FLÁVIO, que escolheu Copacabana para o evento. Meu irmão judeu Gayer foi na onda do bezerro de ouro e, só por isso, não estará no palanque do Flávio. Não acredito que o Gayer seja traidor. Quero pensar que seja apenas burrice do rapaz. Se for burrice, deputado, ainda dá tempo de ir ao Rio. Não falte ao lançamento da candidatura do Flávio. Você faltaria se fosse a candidatura do Jair? Certamente não. Então esteja em Copacabana e pare de dar desculpinha tola. Deixe de ser burro e se afaste do Bezerro de Ouro, ou você se queimará tanto quanto ele. @GayerGus #Lançamento #Política #Copacabana

Quem não entendeu que Michelle, Bezerro de Ouro, Gustavo Gayer e outros deveriam estar no mesmo palanque de Flávio no domingo em Copacabana, firmando compromisso, ou é burro ou filho da puta. Terceira opção não existe. #Política #Brasil #Copacabana

Os papagaios de piratas repetem à exaustão que Goiânia e Rio de Janeiro distam demais para que todos os goianos possam acorrer a Flávio, em Copacabana, domingo. Discurso pronto, naturalmente, dos malandros que manipulam os adoradores de Gustavo Gayer e do Bezerro de Ouro: ídolos de barro, ou melhor, de plástico dourado, fabricados para o consumo das massas que confundem convicção com fanatismo. Expliquemos, pois até a Dilma, em seus dias de lucidez intermitente, compreenderia: o convite não se destinava à totalidade dos moradores de Goiânia. Destinava-se, com precisão cirúrgica, a que Gayer e o Bezerro de Ouro ocupassem o mesmo palanque de Flávio. E o que fizeram esses dois bobalhões? Inventaram outro compromisso (o eterno álibi dos pusilânimes) para não se postarem ao lado do 01. Entenderam, ou será preciso desenhar? Imaginem, apenas por um instante de honestidade intelectual, se esses dois “direitistas” recusariam o privilégio de dividir o tablado com Jair Bolsonaro. Inventariam outro compromisso se o convite viesse do próprio Jair, nos dias de glória e liberdade? Tirem, senhores, as suas conclusões. O resto é silêncio, ou, no caso brasileiro, o resto é o grito dos papagaios. #Goiânia #RioDeJaneiro #PolíticaBrasileira

É preciso ser de uma estupidez comovente para supor que a escolha de Alfredo Gaspar tenha escapado ao olhar de Bolsonaro pai, que o dedo de Jair não tenha ali se posado com a naturalidade de quem dispõe das coisas. Claro que se posou. Gostemos ou não - e o gosto, neste caso, pouco importa -, Alfredo é Flávio. Alfredo é Jair. Aperte 22 e confirme. #Política #Brasil #Bolsonaro

Acabaram-se as preferências particulares. Já não há o meu e o seu predileto. Há apenas Alfredo Gaspar, o escolhido de Flávio, o escolhido de todos. Flávio e Alfredo: uma só voz, uma só vontade. Aperte o 22 e fim de papo. #Unidade #Escolhas #Eleições

Flávio precisa se impor, ou a situação se deteriorará por completo. Ou se impõe ou a vaca irá para o brejo. Será que precisarei produzir outro vídeo no estilo “Santa Catarina manda um duro recado a Flávio Bolsonaro”? Reaja, homem! #FlávioBolsonaro #Política #Reação

Ana Campagnolo, Michelle Firmo e Nikolas Ferreira são os novos traidores políticos do bolsonarismo? Eu diria que sim, mas, com algumas ressalvas. Quando falamos em “novos traidores” chamamos imediatamente à memória os antigos, como Joice, Frota e Dória. Ana, Michelle e Nikolas, contudo, não são iguais aos anti-heróis do passado. Logo, é preciso uma revisão histórica para encontra o lugar correto dos novos “judas”, por assim dizer. Senão, vejamos: O espetáculo da eleição de 2018 não foi mera vitória eleitoral; foi a tentação de uma ordem nova, um símbolo de restauração que, no instante mesmo de sua aparição, já continha o germe de sua dissolução. Em torno de Jair Bolsonaro coalesceu uma aliança particularíssima: conservadores, liberais da economia ávidos de mercado sem o peso do Estado, e outsiders políticos que confundiam o desprezo pela forma com a própria substância da política. Era, em termos voegelinianos, como diria o Professor Olavo, um esforço de reordenação da existência histórica brasileira, uma tentativa de recuperar a representação da verdade contra o gnosticismo igualitário que dominara as décadas anteriores. Mas a ordem política, como Voegelin nos ensina, não se sustenta na mera negação do inimigo; exige a diferenciação da consciência e a fidelidade à realidade concreta. Logo no primeiro ano, essa base começou a rachar e as fraturas, logo percebidas como “traições”, revelaram-se antes o colapso interno de um símbolo ainda não plenamente realizado. As rupturas não nasceram de simples ambição mesquinha. Surgiram das disputas pelo controle partidário, dos cálculos eleitorais que já miravam 2022 e, mais profundamente, da incapacidade de gerir as crises nacionais sem cair no apocalipse ideológico, donde surgiu, pela boca de alguns neotucanos como Moro e Dallagnol, o refrão “sem o Bozo, mas com os votos do Bozo”. Os três casos emblemáticos, contudo, foram tão surpreendentes que, num primeiro momento, pareciam crônicas de fofocas de Brasília. Os casos Joice e Frota, sobretudo, revelaram-se aos poucos como sintomas de uma ordem que se desintegrava no momento em que o bolsonarismo tentava afirmar-se então veio o primeiro grande trauma; o primeiro grande soco no estômago do bolsonarismo: a traição de Frota. É preciso lembrar que Alexandre Frota fora um dos mais vociferantes arautos do bolsonarismo, eleito deputado federal pelo PSL de São Paulo com votação que parecia consagrá-lo como voz da nova era. Sua ruptura foi a primeira a ganhar proporções trágicas e, como sempre acontece quando a consciência política ainda é primária, transformou-se em teatro de acusações. Ainda no primeiro semestre de 2019, Frota começou a criticar publicamente a articulação do governo. Incomodava-o a indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada nos Estados Unidos; cobrava explicações sobre o caso Queiroz-Flávio e a a gota d’água não tardou: Frota abstém-se no segundo turno da Reforma da Previdência, pauta que o governo elevava à condição de salvação nacional e declara, em entrevistas, sua decepção com o presidente. Em agosto, o PSL o expulsa. Frota então transfere o tom agressivo que antes reservava à esquerda para atacar a família Bolsonaro nas redes e nos corredores da Câmara. A base que o aplaudia passou a execrá-lo em massa. O antigo aliado torna-se, de um dia para o outro, o traidor. Em seguida, surge o “caso Joice Hasselmann”. Joice, a deputada federal mais votada do Brasil em 2018, tornara-se líder do governo no Congresso. Seu rompimento foi o mais explosivo do ponto de vista da comunicação digital e o mais revelador da natureza gnóstica que ameaçava a própria coalizão. Sim, e disse gnóstica. No final de 2019, o PSL implodiu na disputa direta pelo controle do partido e de seus fundos bilionários entre a ala de Luciano Bivar e a ala fiel a Bolsonaro. O presidente tenta destituir o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir, para colocar o filho Eduardo. Joice, líder do governo, assina a lista de apoio a Bivar e Waldir. A gota d’água: Bolsonaro a destitui da liderança em outubro. A percepção pública foi instantânea: Joice era a segunda traidora. Em retaliação, Joice vai à CPMI das Fake News e denuncia o “Gabinete do Ódio”. O que se vê aqui não é apenas guerra de egos. É a redução da política à luta pelo controle do aparelho simbólico e financeiro do partido, a substituição da ordem pela vontade de potência: eis aqui o elemento gnóstico. Voegelin diria que, quando a representação da verdade cede lugar à representação da força, a ordem se desintegra em facções que se acusam mutuamente de traição, enquanto a realidade histórica continua a exigir respostas, mas, ao invés de respostas, o que surge é o “caso Doria” que também associara intensamente sua imagem à de Bolsonaro no segundo turno de 2018, o “BolsoDoria”, para garantir a eleição ao governo de São Paulo. Ao contrário das rupturas anteriores, a de Doria foi gradual, motivada pelo calendário eleitoral e administrativo, e por isso mesmo mais profunda. Desde que assumiu em 2019, Doria começou a marcar independência, posicionando-se como candidato natural de centro-direita para 2022. Bolsonaro alfinetava. A gota d’água definitiva chegou com a pandemia: Doria defende isolamento, fechamento do comércio e encabeça a Coronavac com o Butantan. Bolsonaro denuncia os lockdowns e a vacina. A fratura foi transmitida ao vivo. Doria usava coletivas diárias para cobrar o presidente. Aqui a ordem política confronta a realidade da existência histórica, isto é, a pandemia, e falha. Em vez de uma resposta comum à crise da mortalidade humana, o que se vê é a politização da saúde por parte dos inimigos de Bolsonaro, a transformação do cuidado com a vida em arma de guerra simbólica. Voegelin nos lembra que a ordem verdadeira surge da experiência da realidade, não da imposição de um mito de salvação tal como apresentavam a “picadinha”. Quando a pandemia exige responsabilidade, a coalizão se desfaz em traição à pauta conservadora. O futuro do Brasil acabou sucumbindo a outra forma de lockdown: a quebra de lealdade a uma pessoa e a um símbolo de mudança. Agora que Flávio Bolsonaro e apresenta como o resgate de daquela proposta de mudança, a história política brasileira, esse eterno teatro de excessos e decepções, promete se repetir, mas agora como farsa. O que se presenciou entre o final de 2025 e o limiar de 2026 não foi mera turbulência, mas uma reconfiguração profunda das forças na direita. Uma convulsão que revela o momento em que uma ordem política, ainda precária, é forçada a escolher entre a representação da verdade histórica e o fechamento dinástico. Classificar essa nova onda, Nikolas Ferreira, Ana Campagnolo e Michelle Firmo, na mesma categoria dos “traidores” de 2019 seria, contudo, um equívoco. Exige-se, antes, reconhecer a mudança fundamental de cenário. A crise atual não é ruptura com a ideologia conservadora, como foi no passado, nem com a figura central de Jair Bolsonaro. É, em sentido estrito, uma guerra de egos; uma guerra de sucessão e de herança política cujo alvo declarado são os filhos do ex-presidente. Onde outrora se combatia o símbolo da ordem, agora se disputa o direito de representá-la. O racha ganhou contornos públicos após as inevitáveis movimentações eleitorais. Eduardo Bolsonaro criticou publicamente Nikolas e Michelle por não se engajarem na pré-campanha de Flávio à presidência. Acusou-os de “amnésia” quanto a quem os teria elevado. Reclamou que Michelle não postava a favor de Flávio, mas “compartilhava o Nikolas a toda hora” e isso, de fato, aconteceu e acontece. No reduto de Santa Catarina, Ana Campagnolo questionou a possível imposição de Carlos Bolsonaro ao Senado, um Estado onde ela própria detém capital político próprio e defende o espaço das lideranças locais e isso, de fato, aconteceu e acontece. Quando Eduardo cobrou obediência à “hierarquia familiar” e sugeriu que os descontentes saíssem, Michelle interveio diretamente em defesa de Ana. Nikolas, por sua vez, rebateu com a frieza de quem já não teme a excomunhão digital: Eduardo “não está bem” ele disse. Nikolas, tão inflado de ego, deixou claro que ele, o poderoso Nikolas, não perderia tempo com divergências internas porque “tem um Brasil para salvar”. Eis, portanto, o novo espetáculo da traição, que é, repito, bem diferente do espetáculo do passado. A nova geração de traidores não trai a ideologia, mas reivindica o poder exclusivo sobre ela; o poder exclusivo que visa superar o próprio Bolsonaro. Trata-se, portanto, de uma traição política ainda mais perigosa que a de Joice, Frota e Doria. Se colocarmos as duas levas de dissidentes lado a lado, as diferenças explicam por que o impacto agora é infinitamente mais complexo para a família Bolsonaro do que foi em 2019. Os “traidores” de outrora atacavam frontalmente a figura de Jair e o seu governo. A nova onda, ao contrário, trava conflito com a gestão política dos filhos de Bolsonaro e resiste àquilo que eles mesmos consideram “um monopólio familiar”. Joice, Frota e Doria surfavam na eleição de 2018 e dependiam da chancela do patriarca. Ana, Nikolas e Michelle possuem bases imensas, orgânicas e ideológicas, que funcionam independentemente da aprovação dos herdeiros. O “cancelamento” de 2019 destruía rapidamente as imagens de Joice, Doria e Frota na internet e custava-lhes a reeleição; agora, os novos traidores políticos são praticamente incanceláveis sem rachar o movimento ao meio, pois são ídolos da base atual. E, o mais decisivo: enquanto Frota, Joice e Doria se afastavam da pauta conservadora tentando migrar para o centro tradicional, Nikolas, Ana e Michelle disputam, com ferocidade, quem é o verdadeiro representante dessa mesma pauta. A diferença estrutural é radical. Joice, Frota e Doria tentaram se reposicionar rompendo com o eleitorado mais radical. A nova onda faz o exato oposto. Não abandonam o bolsonarismo, mas disputam o controle sobre ele. Sinalizam à base que o projeto de direita é maior do que as conveniências eleitorais exclusivas dos filhos biológicos. A aliança inusitada de Michelle, a esposa, com Nikolas e Ana contra as exigências de subordinação de Eduardo demonstra que o movimento atravessa um teste crucial: decidir se continuará sendo uma dinastia de sangue regida pela vontade de Jair Bolsonaro ou se se tornará uma força onde o carisma pentecostal, o engajamento digital e a pureza ideológica importam mais que o sobrenome. O resultado dessa escolha determinará se o movimento conservador permanecerá um símbolo de restauração ou se se dissolverá, mais uma vez, no eterno ciclo brasileiro de esperanças traídas. Quem viver, verá. #Bolsonarismo #PolíticaBrasileira #TraiçãoPolitica

No alvorecer daquela farra sanitária que, em 2020, se abateu sobre o planeta como uma praga de gafanhotos bíblicos, assistiu-se ao primeiro grande alinhamento político entre Donald Trump, então inquilino da Casa Branca, e Jair Bolsonaro inquilino do planalto. Ambos, com a obstinação de quem recusa a liturgia do rebanho, defenderam a hidroxicloroquina, um velho remédio contra a malária, tão prosaico quanto eficaz em outras eras, e a cloroquina. Em março daquele ano, a FDA americana, com a solenidade de quem ainda não se ajoelhara diante do altar da ciência oficial, concedeu autorização de uso emergencial aos hospitalizados. Em maio, Washington despachou dois milhões de doses para o Brasil. Misteriosamente, e o mistério, como se sabe, é o disfarce predileto da política, após estudos que registravam arritmias e a ausência de “provas” de eficácia, a mesma agência, em junho, revogou tudo e passou a fulminar o remédio com a veemência de um inquisidor. Em junho de 2021, milhares de e-mails de Anthony Fauci, o sumo sacerdote do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e conselheiro-mor da Casa Branca, vieram a público graças ao Washington Post e ao BuzzFeed, via processo legal. Neles, o doutor parecia confessar, em segredo, que a hidroxicloroquina era a cura, que a tomava e aconselhava a família. O porta-voz, naturalmente, negou tudo: Fauci jamais ingerira o fármaco e se recusara a endossá-lo por falta de dados. O e-mail “incriminador”, alegou, não era dele, mas de um tal Erik A. Nilsen, CEO de uma startup texana, que escrevera: “A outra droga que tenho, e disse à minha família e a alguns amigos para conseguirem, chama-se hidroxicloroquina…”. Fim de papo, ou quase. No final de julho, o senador Rand Paul liberou o diário pessoal de Fauci. O documento reacendeu a fogueira nos Estados Unidos e no Brasil. Apoiadores de Trump e Bolsonaro extraiam trechos pérolas dos escritos. Peter Navarro, ex-conselheiro de Trump, destacou passagens de março de 2020 em que Fauci descrevia a HCQ como medicamento aprovado, com “tons of experience”: toneladas de experiência, e se mostrava confortável com distribuição flexível. Depois, quando Trump a promoveu, as evidências viraram “anedóticas”. Inconsistências, origens do vírus, lockdowns, tratamentos: o pacote completo da paranoia contemporânea. Nos círculos conservadores americanos, a suspeita cristalizou-se: havia estoques de cloroquina prontos para distribuição, mas a posição mudou por motivos políticos. “Se Trump é a favor, o sistema é contra.”. No Brasil, a mesma cantilena em torno do “tratamento precoce”: a oposição e a mídia teriam sabotado Bolsonaro como os democratas sabotaram Trump. A batalha persiste. De um lado, os que juram que Trump e Bolsonaro estavam certos; do outro, Fauci, a mídia, a esquerda mundial, a indústria farmacêutica, todos proclamando que jamais houve mudança oficial de protocolo no Ministério da Saúde ou na Anvisa recomendando HCQ para a Covid. Eu, de minha parte, posso dizer que, independentemente do que proclamavam Trump, Bolsonaro ou Fauci, sempre achei de uma estranheza kafkiana o uso de uma vacina ainda em fase experimental. Mais estranho ainda o fetiche da máscara de pano, com aberturas vastas o bastante para deixar passar vírus e bactérias como quem passa por um portão aberto. E o cúmulo do absurdo: o vírus que, segundo a liturgia, não atacava pessoas sentadas. Tudo isso me convenceu, à época, de que não valia a pena seguir o rebanho. Havia algo de patético em andar mascarado por lugares desertos e, minutos depois, comer em restaurantes lotados. Ah, sim, tirávamos a máscara para almoçar. Daí a minha convicção de que o vírus respeitava o momento: bastava sentar e pegar nos talheres para que os bichinhos se afastassem, discretos. Como levar a sério semelhante farsa?, pensava eu. Se o vírus respeitava quem se sentava para comer, respeitaria também quem se sentasse para fumar, beber ou rezar. Foi por isso que o período da pandemia se tornou a época em que mais fumei. Cheguei a três maços de Marlboro por dia. Dentro do carro, inclusive. Não foram raras as vezes em que, parado no sinal, alguém sozinho e mascarado parava ao lado, lançava-me um olhar de horror bíblico e saía cantando pneu para não contemplar a cena apocalíptica: eu, ouvindo Bob Dylan, vidros abertos, fumando como se o mundo fosse acabar amanhã. Seis anos depois, aqui estou, mais forte e mais gordo do que nunca. Foi a cloroquina que me salvou? Quem há de saber? A picadinha, juro que não foi, pois não a tomei. Foi o cigarro? Provavelmente não. Passada a pandemia, resolvi largar o vício. Já faz quase um ano e prometo nunca mais fumar. A menos que surja outra pandemia. #Pandemia #Cloroquina #Saúde

Pediram-me que dissesse alguma coisa a respeito da exigência política de Tereza Cristina em relação a Flávio Bolsonaro. Sim, prometo que escreverei. Mas, antes, permitam-me inserir um preâmbulo ao futuro comentário: "obrigado, professor Olavo, por nos ter ensinado a mandar os outros para aquele lugar que a educação bem-pensante prefere não nomear; e perdoe-nos por termos, um instante sequer, esquecido de praticar o sábio conselho em relação à citada senadora. #Política #TerezaCristina #FlávioBolsonaro

É de uma burrice atávica, quase patológica, imaginar que Flávio Bolsonaro, para conquistar a Presidência, precise mimetizar-se em Zema, Tarcísio, Caiado, Ratinho, Moro, Tiririca, Cacareco ou até no Palhaço Patatá. Ao contrário. Para vencer, ele precisa ser o radicalmente outro, pois todos esses senhores personificam o que há de mais nauseante e decepcionante na política brasileira: o continuísmo cinzento, o eterno retorno do mesmo, a mesmice elevada a método de governo. Flávio faria bem em recordar por que o velho Jair se tornou mito e se elegeu com um pé nas costas. Porque não se parecia com ninguém. Quando irrompeu no cenário nacional, Bolsonaro confrontava Aécio, Dilma, Marina Silva, Preta Gil e Haddad, e em nada se assemelhava a qualquer um deles. O discurso de Dilma poderia sair, sem o menor esforço, da boca de Aécio; o de Aécio ecoava o de Marina; e este, por sua vez, era indistinguível do de Haddad. A única voz autêntica era a de Jair. Foi essa autenticidade crua, desprovida de verniz, que fez o povo sentir-se representado: do motoboy ao servente de pedreiro, do repentista ao produtor de soja. Todos perceberam, de imediato, que Jair não pertencia ao clube fechado da mesmice. Flávio precisa lembrar-se disso. Precisa ser o diferencial, o solitário que interrompe a corrente. Porque o resto é aquela cantilena de Chico Buarque em Flor da Idade, cujo final diz que “Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo que amava Juca que amava Dora que amava…”. Eu, de minha parte, e só por pura pirraça, canto: Zema que amava Doria que amava Lula que amava Haddad que amava Caiado que amava Nikolas que amava Zema que amava… Lembre-se disso, amigo Flávio, é a diferença que faz a diferença. Não queremos mais do mesmo. Aliás, foi o próprio Olavo quem deu a dica de como ganhar a eleição: o primeiro que aparecer como um autêntico conservador, leva, porque o povo brasileiro é conservador na essência e só precisa de um representante. Foi mais ou menos isso que falou o saudoso Professor Olavo. E não deu outra. É só repetir a fórmula. #PolíticaBrasileira #Autenticidade #Eleições2024

O insigne Mário Frias, dele, só ouço verdades. Pergunto-me, de resto, por que razão não se escolheu o nome de Mário Frias para a vice de Flávio ou para o Senado por São Paulo. Interrogo-me todos os dias. Existe alguém mais leal e preparado do que Frias? Não existe. #MárioFrias #PolíticaBR #Lealdade

Perceberam? A Direita Beautiful People, essa fauna que se perfuma de liberalismo mas fede a oportunismo, já não investe com o mesmo furor contra Flávio Bolsonaro. As baterias, porém, voltaram-se contra o pai. Notaram? Foi uma semana singular: enquanto o filho defendia o Brasil em solo americano, Jair era fustigado de todos os flancos, não pela esquerda, essa velha inimiga de ofício, mas pela própria DBP, a direita de iPhone na mão e alma de Instagram. Interessante, não? Quase poético, no sentido mais cruel do termo. Revela, com clareza cristalina, o que sempre soubemos: nessa tribo dourada, a lealdade é artigo de estação, o patriotismo varia conforme a pesquisa de intenção de voto e o bolsonarismo, outrora bandeira de todos os oportunistas, hoje serve apenas como saco de pancadas para os zés trovões da vida. O que se assiste não é crítica, é cálculo. Um balão de ensaio lançado por quem ainda não entendeu o Brasil profundo: atacam Bolsonaro para medir o tamanho da raiva popular, calibrar o volume do aplauso e decidir se vale a pena prosseguir o linchamento. Se o povo morder a isca, virão com mais força, mais fel e mais elegância de salão. Para desgosto desses finos estrategistas, o bolsonarismo respira, lateja e resiste no peito da maioria dos brasileiros. E é por isso que vemos o espetáculo patético de ontem: os mesmos que destilavam veneno hoje ensaiam recuos, gaguejam meias-palavras e fingem que não foram eles. Gente miúda, enfim. Banal na inteligência e ridícula na covardia. O espelho do Brasil que eles jamais conseguirão governar. #Bolsonaro #Direita #Brasil

Circula pelas veredas digitais do X um vídeo em que uma voz masculina, supostamente confidenciada, assegura que Michelle Bolsonaro revelara ao mundo a inépcia oscular de Jair. O marido, segundo o “relato’”, não sabia beijar. Eis a intimidade conjugal servida como petisco nas redes, arma vil da guerra de narrativas que devora reputações com a voracidade de um vírus. Embora o artefato apresente todos os estigmas do deepfake, a premissa não é nova. Usar o leito, o beijo ou a alcova para demolir a estátua de um governante é tática tão antiga quanto o poder. A exposição das fraquezas sexuais, físicas ou emocionais de chefes de Estado pelas próprias consortes já derrubou tronos, abalou repúblicas e forneceu material inesgotável à crônica da miséria humana. Dois casos próximos, no tempo histórico, ilustram com precisão essa arte da desconstrução. Na década de 1970, Margaret Trudeau, casada com Pierre Trudeau, o primeiro-ministro canadense de charme intelectual e pai de Justin (porque dizem maldosamente que pai é quem cria), dissolveu o casamento e publicou Beyond Reason em 1979. Na obra, escancarou a frieza glacial do marido, a distância afetiva que transformava o palácio em deserto, os próprios adultérios e a insatisfação profunda de quem tentara salvar as aparências no epicentro do poder. Era a vingança da mulher reduzida a acessório. Mais retumbante ainda foi o terremoto provocado por Diana, Princesa de Gales, contra Charles. Nos anos 1990, a realeza britânica estremeceu quando ela colaborou com o biógrafo Andrew Morton e, depois, concedeu à BBC a entrevista que entrou para a história. “Éramos três neste casamento”, disse, com voz de mártir ferida, vazando o adultério com Camilla, a frieza física do príncipe e a ausência total de desejo no leito real. Para um futuro rei, ver sua performance afetiva dissecada em rede global foi humilhação sem par na era moderna: o herdeiro da coroa, exposto como homem incompleto pela esposa que o mundo tanto amara. Agora, o que circula nas redes, atribuído por muitos à indiscrição de Sóstenes Cavalcante, pinta Bolsonaro quase como um adolescente virgem tardio, alheio às delícias da sensualidade porque, ao que parece, dedicou a vida ao trabalho e à militância para salvar o Brasil. O relato depõe contra o homem público, sim; mas depõe, sobretudo, contra a mulher que deveria guardar tais confidências como relíquia sagrada. Custa, no entanto, crer que Sóstenes tivesse tamanha indelicadeza de vazar o que lhe fora confiado; custa ainda mais imaginar Michelle descendo a esse nível de baixeza conjugal. O mais provável, convenhamos, é que se trate de falsificação digital. Seja como for, a questão eleva-se acima da fofoca de alcova. Michelle deve processar com rigor quem espalhou o deepfake, defendendo a própria honra e a do marido. Mas, se não for falsificação, que venha a público e explique por que processa Sóstenes Cavalcante, ou seja lá quem for o “delator”. Trata-se, afinal, de uma derradeira questão de honra. Numa época em que tudo se reduz a espetáculo vulgar, restam ainda, para os que se pretendem estadistas, esses últimos bastiões da dignidade. Ou o que sobra dela. #deepfake #política #honra

São todos de direita, proclama o rótulo com a solenidade de quem não admite réplica. Inegável, à primeira vista: são todos "didireita". Mas eis que o espetáculo da vida brasileira, esse teatro de absurdos, nos reserva surpresas dignas de um vaudeville político. De repente, a direitista Michelle revela um inesperado sabor feminista; Constantino e Damares, esses baluartes da direita, adquirem um sabor francamente esquerdista; e a famosa direitista do vôlei, por ironia suprema, ganha um sabor Fabiano. As gôndolas do supermercado ideológico já não são as mesmas, meus caros. Os produtos trocaram de prateleira, as embalagens mentem com descaramento, e o consumidor de ideias fica ali, atônito, como quem lê o manifesto de um partido e descobre o programa do adversário. Sinal dos tempos? Quem tem olhos para ver, que veja, e que não se espante se, amanhã, a direita acordar trotskista e o PT descobrir em si um súbito ardor liberal. No Brasil, até os rótulos traem. #Política #Brasil #Ideologia

A última pérola de Rodrigo Constantino foi proclamar, com a solenidade de quem descobre a roda, que permanece independente, sem partido e sem político de estimação. Pérola, sim, mas de imitação: o que ele quis dizer, e não disse, é que permanece ausente. Ausente, não independente. Eu também não tenho partido. Jamais me filiei a qualquer legenda e não cultivo fetiches eleitorais. Mas conservo, ainda que contra a maré dos tempos, o senso das proporções. Votarei em Flávio não por devoção, mas por elementar cálculo de sobrevivência: comparado ao resto do cardápio, ele é tábua de salvação. Constantino, esse, não precisa de tábua alguma. Vive nos Estados Unidos como cidadão americano, com o Brasil reduzido a um pano de fundo conveniente: uma legião de leitores fiéis e, suponho, o salário generoso que a grande mídia alguma vez, depositou em sua conta. O resto que se exploda. Que o país afunde ou nade, pouco lhe importa, pois, do contrário, não estaria espalhando seu veneno nas redes sociais. Do alto de sua montanha americana, ele prossegue dando lições como um Zaratustra de botequim, ditando o certo e o errado com a gravidade de quem se contempla no espelho e se acha sublime. Na verdade, é um Narciso piorado, bem piorado: não se apaixona pela própria imagem, mas pela própria ausência. Constantino é, enfim, o que sempre foi: um tolo requintado que se julga a mais espetacular das criaturas: o super-homem da indiferença, o hipócrita da distância, o moralista que cobra dos outros o que ele próprio se dispensou de viver. #Política #Independência #Hipocrisia

Se o texto acima é da ex-primeira-dama, pode-se dizer que a emenda, como de costume, saiu pior que o soneto. Michelle resolveu aplicar remendo novo em roupa velha, proclamando, com ar de quem se redime, que não guarda raiva de ninguém. Excelente. Regozijemo-nos. Até ontem, o que se via no seu desdém pela candidatura de Flávio era, pura e simplesmente, uma raiva destilada, quase bíblica. Agora a questão já não é saber se a ex-primeira-dama tem ou não tem cólera no peito; é medir quantos bolsonaristas ainda conservam alguma simpatia por ela. “Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada”, declarou, sem dizer, é claro, o que exatamente estava sendo deturpado. Teriam os bolsonaristas deturpado a ausência absoluta de empatia, ou de apoio, ao enteado? A verdade é que o problema não reside na suposta deturpação, mas no “esclarecimento” intempestivo. Michelle batizou de esclarecimento o que não passou de lavagem pública de roupa suja, e, sem risco de mal-entendido, só pode ser lido como sabotagem. Sim: para a maior parte dos mortais, o vídeo foi uma tentativa clara de torpedear o candidato que, mal ou bem, ainda encarna o voto anti-sistema. Um desastre estético e político. Ponto final. Eis outra frase digna de divã freudiano: “Vamos trabalhar juntos para derrotar o atual governo”. Depois de fuzilar o enteado em praça pública, a matriarca estende os braços, magnânima, superior, quase iluminada. Venceu a luta imaginária, expôs o rival ao ridículo e, sentindo-se rainha, oferece a mão ao vencido: venha, pobre-diabo, vamos trabalhar juntos. Não cola, Michelle. Não cola. Depois vem a pérola que toma todos por otários: “Não há briga nem competição”. Então o que há? Se briga não é briga e competição não é competição, que a senhora explique, com a clareza que diz prezar, que diabo são essas coisas que só atrapalham. Alguém aqui delira, e não são os bolsonaristas. Por fim, a estocada que revela tudo: “uma nova história será escrita, com verdade, clareza e respeito”. Traduzindo: diz Michelle, nas entrelinhas, que faltaram a Flávio esses três atributos: verdade, clareza e respeito, mas agora que a roupa suja foi devidamente arejada, o enteado comportar-se-á como bom menino e a nova história será escrita. Não por ele, naturalmente. Por ela. E a cereja envenenada do bolo: “fiquem em paz”. Palavras ocas. Paz é substantivo que só soa verdadeiro na boca de Cristo: “deixo-vos a paz, a minha paz vos dou”. A paz de Michelle, até agora, tem sido apenas confusão. Triste, ruidosa e desnecessária confusão. #Política #Brasil #MichelleBolsonaro