Nos últimos dias, presenciei com grande amargura o debate que se gerou em torno do meu nome e a possibilidade de assumir o cargo de selecionador de Itália. Por respeito às instituições, à Federação e a todos os envolvidos, optei por guardar silêncio até agora. No entanto, após saber ontem à noite que já não sou candidato ao cargo de selecionador, sinto que é meu dever esclarecer alguns pontos. Ao longo da minha carreira, primeiro como jogador e agora como treinador, sempre realizei as minhas atividades respeitando estritamente as leis dos países onde trabalhei e os contratos que assinei. A colaboração profissional que foi objeto da recente polémica surgiu no âmbito da minha carreira nos EAU e é exclusivamente de carácter comercial e desportivo. Atribuir um significado político a esta colaboração significa atribuir-me convicções que nunca expressei e que não são minhas. Quero agradecer a Maldini e a Leonardo pela estima e confiança que me demonstraram. Conheço a sua experiência, a sua seriedade e o amor que sempre dedicaram ao futebol italiano. Lamento que uma decisão desportiva se tenha tornado rapidamente num debate público que acabou por me atribuir significados e intenções que não me pertencem. O meu amor pela Itália não depende de um cargo. Faz parte da minha história, da minha identidade, e continuará a acompanhar-me sempre.
