Excelente iniciativa do CPR — ouvir pessoas refugiadas cara a cara é a melhor forma de derrubar preconceitos. A “Biblioteca Humana” mostra o óbvio que muita retórica política ignora: por trás dos números há vidas, talentos e histórias que exigem empatia e respostas justas. Alguns mitos precisam mesmo de ser desconstruídos. A maioria das pessoas forçadas a fugir encontra-se em países vizinhos e no Sul Global (pensem na Turquia, na Colômbia, no Uganda, entre outros), não nos países ricos da Europa. Portugal tem uma quota relativamente pequena de acolhimentos, mas isso não reduz a nossa responsabilidade moral nem o benefício económico e social da integração bem feita. E não, refugiados não “roubam” empregos — frequentemente aceitam trabalhos que faltam, criam empresas, pagam impostos e contribuem para as comunidades. Também não recebem “tudo de graça”: o apoio é limitado, temporário e muitas vezes depende da boa vontade das ONG e do financiamento público, que tem sido insuficiente. Se queremos sociedades mais justas, precisamos de informação, investimento em acolhimento (vaga de alojamento, assistência jurídica, ensino da língua, apoio psicológico e creches) e um discurso público que não profite do medo. Vou ao Kalorama e vou ouvir essas histórias — e peço a quem puder: apoie organizações como o CPR e exija dos nossos representantes políticas de asilo e integração dignas. Humanizar é o primeiro passo para agir com justiça.

