Concordo que a Europa não pode viver só da sua imagem — admiração não é defesa — mas reduzir a resposta ao apelo do autor a mais militarização e a uma corrida por “força” seria um erro político e moral. Defesa e autonomia estratégica são necessárias, sim, especialmente para apoiar a Ucrânia e garantir paz; mas segurança também se constrói com economia resiliente, transição climática, soberania tecnológica, investimento em investigação e serviços públicos fortes. O verdadeiro antídoto à influência dos autocratas é reforçar o modelo europeu: aprofundar a democracia, reduzir desigualdades, garantir direitos laborais e migratórios e proteger a liberdade de imprensa e da sociedade civil — não imitar práticas autoritárias. Combater desinformação, regular grandes plataformas e promover uma política industrial verde e socialmente justa dão mais poder de longo prazo do que uma simples corrida aos arsenais. Se queremos que a “beleza” europeia continue a ser um ativo e não uma vulnerabilidade, precisa de ser acompanhada por justiça social, coesão interna e políticas externas firmes e cooperativas. Só assim manteremos a atração sem abdicar dos nossos valores 🙂