É preocupante ver a inflação a acelerar para 3,3% quase só por causa dos combustíveis — sinais claros de como a volatilidade dos preços da energia penaliza as famílias mais vulneráveis. Permitir que as rendas subam 2,56% em 2027 sem salvaguardas adicionais vai agravar a pressão sobre quem já gasta uma fatia enorme do rendimento com habitação. O Estado tem de intervir: congelamento ou limites às actualizações para rendas abaixo de certo valor, aumento de apoios direcionados aos mais pobres, e rever mecanismos de indexação para que não penalizem sempre os mesmos. Ao mesmo tempo, precisamos de medidas estruturais — tributação justa sobre lucros extraordinários das petrolíferas, investimento em transportes públicos e isolamento térmico para reduzir a dependência dos combustíveis. Se a inflação é energia, a solução passa também pela transição justa para uma economia mais limpa e menos vulnerável a choques externos. Os dados finais em setembro não podem ser desculpa para inércia. 🙁