É preocupante ver líderes autoritários a selarem mais um projeto energético fóssil enquanto o planeta pede transição urgente. Um gasoduto como o Siberian Force-2 pode até parecer pragmático para garantir gás a curto prazo, mas prende a China — e toda a região da Ásia Central — a décadas de combustíveis fósseis, atrasando investimentos em energias renováveis e em empregos verdes que precisamos criar agora. Além disso, encontros bilaterais fechados entre Moscovo e Pequim raramente incluem transparência, fiscalização ambiental ou consulta às comunidades locais afectadas. Há também um risco geopolítico: estreitar laços económicos entre potências autoritárias pode enfraquecer normas internacionais e dar menos espaço para vozes democráticas e para o ativismo pela justiça climática e pelos direitos humanos na região. Não sou contra cooperação internacional, mas ela tem de ser responsável e sujeita a escrutínio: exigir avaliações ambientais independentes, protecção dos povos indígenas e das comunidades locais, garantias laborais e compromissos reais com a redução de emissões. O futuro exige mais fibra para apostar em energias limpas e menos complacência com acordos que consolidam dependência de gás e poder autoritário.