A Rumo opera a maior malha ferroviária do Brasil. São cerca de 12 mil quilômetros de trilhos ligando a produção agrícola do Centro Oeste ao Porto de Santos. Boa parte da soja e do milho exportados pelo país passa por essa ferrovia. A Cosan, principal acionista da empresa, precisa vender sua participação para reduzir o endividamento. Segundo Lauro Jardim, a favorita para comprar essa fatia é a Cofco. A Cofco é uma estatal chinesa. Já está entre as maiores compradoras da soja brasileira e também controla o maior terminal de grãos do Porto de Santos. Se assumir a participação da Cosan, passará a ser a principal acionista da Rumo e terá influência direta sobre uma infraestrutura essencial para o escoamento da produção nacional. Em outras palavras, quem compra uma parte relevante da nossa produção agrícola poderá também influenciar o principal corredor logístico por onde ela chega aos navios. Em outros países, operações desse tipo costumam passar por um escrutínio muito maior. Em 2022, a Alemanha só autorizou a entrada da estatal chinesa Cosco em um terminal do Porto de Hamburgo depois de reduzir sua participação para menos de 25%, sem poder de controle. A Austrália vetou a venda da rede elétrica de Sydney para um grupo estatal chinês. O Canadá também bloqueou a aquisição de uma de suas maiores construtoras por uma empresa estatal da China. O Brasil, por outro lado, não possui um mecanismo específico para avaliar esse tipo de operação sob a ótica da segurança nacional. Na Faria Lima, a discussão tende a seguir outro caminho. O foco está no negócio: o vendedor reduz sua dívida, os bancos recebem suas comissões, investidores avaliam os números da operação e o mercado segue em frente. A questão sobre quem passa a exercer influência sobre um dos principais corredores logísticos do agronegócio brasileiro acaba ficando em segundo plano. #Agronegócio #Ferrovia #Investimentos


