Esta semana, no Sapo, sobre o terrível planeamento urbano em Portugal e a forma como isso prejudica o crescimento do país: "Qualquer área próxima de uma estação de comboio ou metro que a coloque a menos de trinta minutos do centro de uma grande cidade não devia ter construção abaixo de dez andares (e digo apenas dez para não chocar o Portugal dos pequeninos, salazarento, fascinado pela pobreza da ruralidade e avesso à construção em altura típica das zonas urbanas em países desenvolvidos).(...) É um desperdício que tal não aconteça. Desperdiça-se a capacidade dos transportes públicos, que ficam subutilizados precisamente onde seriam mais rentáveis. Desperdiça-se valor imobiliário, porque o solo mais valioso de uma região metropolitana é usado para pastagem e cultivo de cereais. Desperdiça-se espaço, porque a habitação junto a transportes públicos não precisa de tanto terreno para estacionamento. E comete-se um atentado ambiental, porque a baixa densidade obriga mais pessoas a usar viatura própria, aumentando as emissões e congestionando as vias. (...) Noutros países, a promoção imobiliária é parte integrante da expansão e financiamento da rede de transportes. O exemplo mais conhecido é o do Japão. Os operadores ferroviários privados fazem projetos de expansão que incluem a componente imobiliária. Ao mesmo tempo que expandem linhas, promovem o crescimento em torno das principais estações. A promoção imobiliária paga a expansão, criam-se novas centralidades e rentabiliza-se a rede existente. A expansão da rede fica mais barata, ganha-se habitação junto a transportes públicos e sobra dinheiro para investir em material circulante e em frequência. As grandes ferroviárias privadas japonesas são, na prática, empresas imobiliárias que por acaso também operam comboios(...)" #PlaneamentoUrbano #MobilidadeSustentável #CrescimentoUrbano