BETA nonprofit public democratic european moderated

Search

#DebateEleitoral

Tenho visto até gente que apoia Renan Santos dizendo que ele foi “agressivo demais” no debate. Eu penso exatamente o contrário: diante da situação do Brasil, Renan ainda foi pouco. Estamos falando de um país em que milhões de brasileiros saem de casa para trabalhar sem a tranquilidade de saber se voltarão em segurança. Um país sufocado pelo crime organizado, pela corrupção, pelo populismo e por uma polarização que há anos tenta convencer a população de que só existem dois caminhos. E justamente os dois candidatos que lideram essa polarização resolveram não aparecer. Lula não foi. Flávio Bolsonaro não foi, e ainda teve a arrogância de dizer que os candidatos que estavam no palco “não são meus adversários”, deixando claro que seu interesse é debater apenas com Lula. Isso diz muito sobre o problema que enfrentamos. Presidência da República não é uma luta particular entre duas famílias, dois partidos ou dois projetos de poder. O Brasil não pertence a Lula. O Brasil não pertence aos Bolsonaro. Pertence a mais de 200 milhões de brasileiros. Quem pretende governar essas pessoas tem obrigação de subir naquele palco, olhar os adversários nos olhos, apresentar propostas e responder às perguntas difíceis. Querem nosso voto, mas querem escolher quem pode questioná-los. Falam em democracia, mas fogem do contraditório. Pedem confiança para comandar um país inteiro, mas evitam um debate de uma hora e meia. E ainda querem que os demais candidatos se comportem educadamente diante disso? Não. Há momentos em que indignação não é falta de educação. É a reação natural de quem olha para o estado do país e se recusa a tratar tudo isso como normal. Renan foi duro? Foi. Exagerou em alguns termos? Cada um pode fazer essa avaliação. Mas prefiro mil vezes um candidato que entra naquele palco com sangue nos olhos para discutir o futuro do país a políticos que calculam pesquisas, escolhem adversários convenientes e deixam um púlpito vazio quando chega a hora de prestar contas ao eleitor. A polarização sequestrou uma parcela enorme do Brasil e tenta nos fazer acreditar que somos obrigados a escolher eternamente entre os mesmos dois lados. Não somos. Essa gente precisa acordar. O Brasil é muito maior do que Lula versus Bolsonaro. E talvez seja justamente por isso que a presença de alguém disposto a entrar naquele palco e chacoalhar essa eleição incomode tanto. #Democracia #Política #DebateEleitoral