As relações de Alexandre de Moraes e Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro estão em destaque no noticiário de hoje. Ambas as famílias faturaram direta ou indiretamente com o dono do Banco Master, cuja fortuna veio de fraudes que enganaram e prejudicaram milhões de brasileiros. Registros indicam que Moraes editou o contrato de R$ 131 milhões de sua esposa com Vorcaro. Mensagens mostram que o então banqueiro acionou o ministro do STF para travar investigações antes de ser preso. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”, pediu o dono do Master, referindo-se ao diretor da PF, Andrei Rodrigues, e ao PGR, Paulo Gonet. “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, escreveu ao ministro em outra mensagem, também obtida pelo Estadão. Só se pede descarada e impunemente a uma autoridade que ela obstrua a justiça quando se tem abertura e confiança para isso; e/ou quando se subentende que um contrato de fachada pré-estabelecido daria direito a esse tipo de serviço informal. Já Flávio foi pego em mais uma mentira sobre Vorcaro. O senador disse na TV, em 14 de maio de 2026, que “o último pagamento que ele fez [...] foi em maio de 2025”. Mas agora se sabe que o dono do Master enviou em 16 de setembro daquele ano mais US$ 1,666 milhão ao Havengate, o equivalente a R$ 8,5 milhões na cotação da época. Foi a 7ª parcela paga de um total de 14, somando mais de US$ 12,3 milhões, o equivalente a mais de R$ 65 milhões. Duas semanas antes, em 3 de setembro de 2025, o Banco Central havia rejeitado a aquisição do Master pelo BRB após cerca de cinco meses de avaliação do caso. Os indícios contra Vorcaro já eram fortes. Em 30 de setembro de 2025, a Folha informou que a PF abriu um inquérito sobre o Master após o BC ter passado informações ao Ministério Público Federal. E há evidências de que, mesmo assim, Flávio pressionou e conseguiu mais um pagamento depois disso, como mostra a reportagem da revista Piauí, que teve acesso a um trecho inédito dos diálogos por WhatsApp entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, que ajudou a captar dinheiro para o filme. Em 22 de outubro de 2025, Flávio cobrou o dinheiro, nem aí para sua eventual origem criminosa: “Estamos no limite. Se não der me fala que procuro urgente outro caminho.” No mesmo dia, Miranda escreveu ao banqueiro: “Consegue liberar as parcelas do filme? Se não vai parar tudo por lá 😐.” Vorcaro respondeu: “Sim. Liberei mais uma hoje”, ao que Miranda retrucou: “Vou avisá-los. Flávio disse que iria te ligar tb.” O dono do Master então pediu que Miranda apresentasse suas desculpas a Flávio pelos “atrasos” das parcelas. Se esse outro pagamento de US$ 1,6 milhão foi realizado, o total desembolsado sobe para US$ 14 milhões de dólares, ou R$ 72 milhões. Já o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, comprou até apartamento para a filha do petista Jaques Wagner, então líder do governo Lula no Senado, como já vimos. Não existe, portanto, polarização entre alexandrismo, bolsonarismo e lulismo em matéria de ganhos familiares com empresários interessados em obter boa vontade nos Três Poderes. O que existe é um eleitorado ludibriado por discursos diferentes de grupos políticos e demais autoridades que incorrem em uma série de práticas imorais comuns. #Corrupção #Justiça #PolíticaBrasileira















