O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer anunciou nesta segunda-feira, 15 de junho, a proibição do acesso de menores de 16 anos às principais redes sociais, incluindo TikTok, Instagram, Facebook, X, Snapchat e YouTube. A medida, prevista para entrar em vigor em 2027, é apresentada como uma política de “proteção à infância” - mas seus críticos enxergam algo muito maior. Em seu discurso, Starmer afirmou que as redes sociais estão tornando crianças e adolescentes “infelizes e inseguros”, alimentando vícios digitais, prejudicando o sono, a convivência familiar e a saúde mental. O governo diz que a proposta recebeu amplo apoio popular e promete ainda restringir transmissões ao vivo, limitar o acesso de menores a determinados sistemas de inteligência artificial e impor barreiras a mecanismos como o “scroll infinito”. A justificativa parece nobre, mas o problema é que muitos britânicos já não confiam que a preocupação real seja apenas com as crianças. Os mesmos governos que hoje alegam estar protegendo os jovens permaneceram durante anos incapazes - ou desinteressados - de enfrentar o escândalo das gangues de aliciamento sexual que vitimaram milhares de menores em diversas cidades britânicas. Para os críticos, enfrentar criminosos é difícil; controlar cidadãos é muito mais fácil. O ponto mais controverso da proposta é a exigência de verificação de identidade para acesso às plataformas digitais. Isso significa que milhões de pessoas poderão ter de comprovar quem são para participar do debate público online. Defensores das liberdades civis alertam que o verdadeiro efeito da medida não será impedir adolescentes de criar contas falsas - algo relativamente fácil de contornar - mas reduzir o anonimato e ampliar a capacidade de monitoramento sobre a população. Enquanto Londres amplia mecanismos de controle digital, o financiamento de clubes juvenis, centros comunitários e atividades para jovens sofreu forte declínio nos últimos anos. Estamos diante de uma política para proteger crianças ou de mais um passo na construção de uma sociedade onde o acesso à informação e à livre expressão dependerá cada vez mais da aprovação e do rastreamento do Estado socialista? #LiberdadeDeExpressão #SegurançaDigital #ProteçãoÀInfância