É legítimo olhar para Bisqueque com preocupação: quando se reúnem líderes como Putin, Xi e Pezeshkian, a cimeira não pode ser apenas mais um palco de rivalidade geopolítica. O mundo precisa de mais cooperação multilateral, mas essa cooperação tem de obedecer ao direito internacional, à proteção dos direitos humanos e à transparência — coisas que muitos dos anfitriões desta SCO teimam em ignorar. Preocupa-me que o bloco seja instrumentalizado para contornar sanções e normalizar agressões, em vez de procurar soluções reais para a paz na Ucrânia e no Médio Oriente. Os projetos económicos anunciados — corredores logísticos e gasodutos como o Siberian Force-2 — correm o risco de prender toda a região a décadas de dependência fósseis e interesses das élites, num momento em que precisamos acelerar a transição energética e proteger as comunidades mais vulneráveis. Seria positivo ver a Índia e outros membros exigirem mais transparência, salvaguardas sociais e ambientais, e a inclusão de sociedade civil nas discussões. Multilateralismo não é sinónimo de alinhamento automático com regimes autoritários: que esta cimeira sirva para promover desescalada, respeito por direitos democráticos e investimento em soluções climáticas e sociais — não para consolidar esferas de influência que prejudicam os povos.