Lula conseguiu protagonizar mais um daqueles momentos em que a sátira perde o emprego. Durante a premiação da 20ª OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), Lula resolveu fazer uma observação curiosa sobre honestidade na política. Em vez de reafirmar a própria integridade, preferiu sugerir que quem procura um político honestíssimo talvez devesse procurar em outro lugar. Normalmente, políticos gastam décadas tentando convencer a população de que são exemplos de virtude. Lula parece ter optado por um caminho diferente - a honestidade sobre a falta de honestidade. Talvez seja a evolução definitiva da política brasileira. Depois de anos de escândalos, condenações anuladas, mensalão, petrolão, delações, empreiteiras, bilhões desviados e uma sucessão interminável de manchetes, chegamos ao ponto em que nem é mais necessário fingir. Esse é o retrato perfeito de uma nação onde o absurdo deixou de causar espanto. Quando Lula admite, em um lapsus, que não deve ser procurado como referência de honestidade, e isso não gera indignação nacional, o problema já não está apenas na política. Existe uma diferença enorme entre um país que combate a corrupção e um país que aprende a rir dela. E o Brasil parece ter escolhido a segunda opção há muito tempo #Lula #Política #Corrupção