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Tito Puccetti

Tito Puccetti

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Luís Reis Aug 16

Moce, Pára Lá um Bocado! ​Ê cá digo-te uma coisa, mê irmão: o Algarve não é só aquela revoada de gente de fora que vem no verão encher as praias, queimar as costas até parecerem camarões cozidos e abalar em setembro. Nah! O Algarve a sério aprende-se no poial da porta, a ouvir os velhos a refilar do tempo e a comer umas alcagoitas ao fim da tarde. ​Vai-te lá a saber proque é que a malta de cima pensa que a gente só sabe estar no choco! Iles! Se eles soubessem o lavor que dá amanhar uma caldeirada como deve de ser, ou subir à serra p'ra apanhar o medronho logo pela manhãzinha, antes que a calma aperte o juízo a um gajo... ​O Ritmo da Terra e do Mar ​Do Barravento ao Sotavento, isto aqui tem ciência: ​Pela manhã cedo: Vês o Ti Zé a abalar p'ra lota. É ver as traineiras a chegar, a gaivotada numa gritaria descarada, e o cheirinho a maresia que desperta qualquer um. No mercado, a mulherada apregoa que a sardinha hoje "’tá a saltar de viva, moço, leva p'ra grelha que até pinga no pão!". ​Pela hora da calma: Quando o calor estanca e nos deixa a todos meio atanados, não há cá pressas. É altura de cortar o pão duro, meter alho, tomate, azeite do bom e aquela áuga bem fresquinha num alguidar de barro p'ra fazer um arjamolho. Come-se aquilo e fica-se logo rijo p'ra outra volta. ​"Quem não aguenta o soalheiro de agosto, que abale p’ra cima, que a gente aqui é rija como a madeira do sobreiro!" ​À Noite no Poial ​À noite, quando o sol se vai esconder lá p'ra trás das serras de Monchique e do Caldeirão, junta-se o pessoal no café da aldeia. Pede-se uma bica, mete-se um cheirinho de medronho p'ra empurrar um Dom-Rodrigo ou um doce de figo e amêndoa, e começam as conversas marafadas. ​Fala-se do peixe que 'tava caro, das amendoeiras que já não florecem como antigamente, e de como o tempo 'tá um estrambótico que ninguém entende. ​Ê olho p'ra isto tudo e penso: povo marafado como o nosso não há em lado nenhum. Podes correr o mundo inteiro, mas não encontras terra onde o mar cheire tanto a casa e onde te recebam com a porta aberta a dizer: "Entra lá, moce, vem provar esta tiborna!". ​O Algarve não é p'ra se ver com pressa de carro. É p'ra se saborear devagarinho, como quem come um caracol ao fim da tarde, a olhar o mar e a deixar a vida correr. E quem não gostar... que abale!

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