Céline Dion ha reaparecido en público en París después de dos años, expresando su emoción y nerviosismo por su regreso a los escenarios con 16 conciertos programados a partir del 12 de septiembre. #CélineDion #Regreso #Conciertos

Céline Dion ha reaparecido en público en París después de dos años, expresando su emoción y nerviosismo por su regreso a los escenarios con 16 conciertos programados a partir del 12 de septiembre. #CélineDion #Regreso #Conciertos

Austria ha emitido una orden internacional de búsqueda y captura para dos hombres que robaron un collar de diamantes valorado en 4 millones de dólares del Museo de Artes Aplicadas en Viena, tras un asalto ocurrido el jueves. #Robo #Viena #Joyas

Em 1998, na primeira edição, não passava de uma «pequena representação dentro de um castelo abandonado» que servia como «curral de animais». Os anos passaram e em 2026, no arranque da 28ª edição, os Dias Medievais já são uma marca tão identitária de Castro Marim que há quem espere por eles. Ano após ano. O certame arrancou oficialmente na tarde desta quarta-feira, 26 de Agosto, com o tradicional desfile que juntou autarcas, dirigentes associativos, curiosos e uma convidada muito especial: a ministra da Cultura, Juventude e Desporto. Não foi uma estreia. https://www.sulinformacao.pt/2026/08/dias-medievais-ou-a-identidade-e-a-historia-a-desfilar-em-castro-marim/
Continente: Previsão para Quarta-feira, 26 Agosto 2026 RESUMO: Períodos de chuva ou aguaceiros, por vezes fortes no Norte e Centro. Vento forte na faixa costeira ocidental e nas terras altas. Pequena descida de temperatura, em especial da máxima. REGIÕES NORTE E CENTRO: Céu muito nublado, com boas abertas a partir do meio da manhã, gradualmente do litoral para interior. Períodos de chuva, passando gradualmente a regime de aguaceiros, de norte para sul, a partir do meio da manhã, que serão por vezes fortes e acompanhados de trovoadas, diminuindo de intensidade e frequência a partir do meio da tarde. Vento fraco a moderado (até 30 km/h) a predominar de sul/sudoeste, por vezes forte (até 40 km/h) e com rajadas até 60 km/h, na faixa costeira, em especial durante a manhã, soprando moderado a forte (30 a 45 km/h) nas terras altas, e com rajadas até 70 km/h. Descida de temperatura, em especial a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela. REGIÃO SUL: Céu em geral muito nublado, diminuindo gradualmente de nebulosidade a partir do meio da tarde. Períodos de chuva a partir da manhã e até final da tarde, que será pouco frequente no sotavento algarvio. Vento fraco a moderado (até 30 km/h) a predominar de sul/sudoeste, por vezes forte (até 45 km/h) e com rajadas até 65 km/h, na faixa costeira ocidental a norte do cabo Espichel, em especial durante a manhã, e nas serras, rodando para oeste/sudoeste a partir da tarde. Pequena descida de temperatura, em especial da máxima. GRANDE LISBOA: Céu em geral muito nublado, diminuindo gradualmente de nebulosidade a partir do meio da tarde. Períodos de chuva, passando a regime de aguaceiros a partir do meio da manhã, que poderão ser por vezes fortes e ocasionalmente acompanhados de trovoadas, diminuindo de intensidade e frequência a partir da tarde. Vento fraco a moderado (até 30 km/h) de sul/sudoeste, por vezes forte (até 40 km/h) e com rajadas até 60 km/h, em especial junto ao cabo Raso durante a manhã, sendo oeste durante a tarde. Pequena descida da temperatura máxima. GRANDE PORTO: Céu muito nublado, com boas abertas a partir do meio da manhã. Períodos de chuva ou aguaceiros, por vezes fortes, em especial até final da manhã. Condições favoráveis à ocorrência de trovoadas, em especial até meio da tarde. Vento fraco a moderado (até 30 km/h) do quadrante sul, por vezes forte (até 40 km/h) e com rajadas até 60 km/h junto à faixa costeira durante a manhã. Pequena descida de temperatura. ESTADO DO MAR: Costa Ocidental: Ondas de oeste com 1 metro, aumentando gradualmente para 1,5 a 2 metros. Temperatura da água do mar: 19/20ºC Costa Sul: Ondas de sudoeste inferiores a 1 metro. Temperatura da água do mar: 19/21ºC METEOROLOGISTA(S): Madalena Rodrigues e Maria João Frada
Socialismo... A internet tornou-se no faroeste da ignorância: os apoiantes do CHEGA e do IL berram "vamos acabar com o socialismo" e, quando lhes mostras o que isso significa na vida real, fazem ar de espantados: "ah, mas é isso? Não é como na Venezuela?". Na verdade, não existe socialismo propriamente dito na Europa. O que existe é, quando muito, social-democracia, e mesmo essa é cada vez mais reduzida. O que temos são políticas e medidas pontuais inspiradas em princípios socialistas, que garantem direitos e algum equilíbrio social. Quando os bilionários, através de alguns partidos, vos vendem a ideia de "acabar com o socialismo", não se trata de uma palavrinha mágica saída do Harry Potter ou memes com a Tatcher— é, sim, pôr fim a políticas concretas que servem para lhes transferirem mais riqueza e retirarem direitos aos restantes. Tudo isto é socialismo (ou, pelo menos, herança dele): 1. Jornada de 8 horas 2. Semana de 5 dias 3. Descanso semanal obrigatório 4. Férias pagas 5. Feriados pagos 6. Subsídio de férias 7. Subsídio de Natal (13.º mês) 8. Proibição do trabalho infantil 9. Escolaridade obrigatória e escola pública gratuita 10. Salário Mínimo Nacional (SMN) 11. Contratos escritos e regras contra a precariedade abusiva 12. Pagamento de horas extraordinárias e limites ao trabalho nocturno 13. Proibição de despedimento sem justa causa (forte protecção) 14. Indemnização por despedimento 15. Seguro de acidentes de trabalho 16. Licenças por doença (baixa médica paga) 17. Licença de maternidade 18. Licença de paternidade (direito próprio) 19. Protecção na gravidez e no regresso ao trabalho 20. Igualdade salarial por trabalho igual 21. Direito à greve 22. Liberdade sindical e direito de associação 23. Contratação colectiva e convenções sectoriais 24. Comissões de trabalhadores nos locais de trabalho 25. Segurança e saúde no trabalho (EPI, inspecções, ACT) 26. Serviço Nacional de Saúde (SNS) universal (desde 1979) 27. Vacinação em massa e programas materno-infantis 28. Centros de saúde, hospitais públicos e INEM 29. Medicamentos comparticipados e genéricos 30. Saúde mental e planeamento familiar 31. Segurança Social universal (pensões, invalidez, viuvez) 32. Subsídio de desemprego 33. Abono de família e prestações por filho 34. Rendimento Social de Inserção (RSI) (rede mínima de protecção) 35. Complementos sociais para idosos e pessoas com deficiência 36. Fiscalidade progressiva (quem ganha mais, paga mais) 37. Tarifa social de energia e apoios à factura de água/transportes 38. Passe social e políticas de transportes públicos (ex.: 2019 →) 39. Programas públicos de habitação e renda apoiada 40. Direitos do inquilino (mediação e regras de despejo) 41. Saneamento básico universal e água potável canalizada 42. Iluminação pública, espaços verdes e equipamentos colectivos 43. Reabilitação urbana e regras de salubridade na habitação 44. Leis de defesa do consumidor e direito de devolução 45. Rotulagem alimentar e informação nutricional 46. Garantias de produtos e assistência pós-venda 47. Regulação bancária e garantia de depósitos 48. Tarifas reguladas e serviço universal (energia, correios, telecomunicações) 49. Empresas públicas estratégicas (água, energia, transportes) 50. Sufrágio universal, voto das mulheres e voto secreto 51. Liberdade de imprensa, manifestação e associação 52. Leis anti-discriminação (género, raça, orientação sexual, deficiência) 53. Combate à violência doméstica, casas-abrigo, linhas de apoio 54. Justiça do trabalho e apoio jurídico para os mais vulneráveis 55. Leis do ar e da água limpos, gestão de resíduos 56. Parques naturais e metas de energias renováveis 57. Fiscalidade verde e eficiência energética nos edifícios 58. Educação de adultos (alfabetização) e acções de formação 59. Acção social escolar (bolsas, refeições, manuais comparticipados) 60. Carreira docente regulada e rede de universidades públicas Se, depois disto, ainda repetes "acabar com o socialismo", então ou és masoquista... ou és um dos privilegiados... ou és burro. Eduardo Maltez Silva | Facebook
La temperatura media de la superficie marítima ha alcanzado un récord de 21,1 grados Celsius, impulsada por el fenómeno de El Niño y el calentamiento continuo de los océanos, lo que representa un aumento significativo del estrés en los ecosistemas marinos y las comunidades costeras. #CalentamientoGlobal #ElNiño #TemperaturasMarinas

El chef español José Andrés se reunió con el presidente ucraniano Volodymyr Zelenski en Kiev y solicitó al expresentante estadounidense Donald Trump más ayuda militar para Ucrania, argumentando que es crucial proteger los intereses de las empresas estadounidenses afectadas por los ataques rusos. #JoséAndrés #Ucrania #AyudaMilitar

L'astronaute française Sophie Adenot a réussi à captiver l'attention des Français pendant sa mission à bord de l'ISS grâce à sa pédagogie, ses vidéos engageantes et sa connexion avec les jeunes, tout en effectuant sa seconde sortie dans l'espace pour remplacer une antenne défectueuse. #SophieAdenot #ISS #astronautes

𝗧𝗮𝘃𝗶𝗿𝗮 𝗧𝗲𝗺... uma vista que tira o fôlego — mesmo a quem já a conhece. 🌇 Quando o sol se despede e o céu passa do laranja ao azul profundo, Tavira acende-se. O Rio Gilão serpenteia entre as duas margens, as pontes refletem-se na água, e a cidade revela-se numa das suas faces mais deslumbrantes. #Tavira #TaviraTem https://www.facebook.com/share/1duo9Q8Hfd/
Carneiro fixa reforma da Segurança Social como linha vermelha para OE2027 https://www.lusa.pt/national/article/2026-08-21/47641986/carneiro-fixa-reforma-da-seguran%C3%A7a-social-como-linha-vermelha-para-oe2027
🧭 O que fazer quando se tem um vizinho barulhento e desrespeitador Registe os episódios de incómodo - Tome nota das datas, horários e tipo de ruído (música alta, gritos, obras fora de horário, etc.). - Estes registos podem ser úteis caso precise de apresentar queixa ou envolver autoridades. Consulte o regulamento do condomínio ou as normas municipais - Verifique se há regras sobre horários de silêncio (geralmente entre as 22h e as 7h). - Em Évora, aplica-se o Regulamento Geral do Ruído, que prevê coimas para infracções reiteradas. Informe a administração ou o condomínio - Se vive num prédio ou urbanização com gestão, comunique o problema ao administrador ou ao condomínio. - Estes podem intervir ou aplicar medidas previstas no regulamento interno. Contacte as autoridades, se necessário - Em casos persistentes, pode contactar a Polícia Municipal ou a GNR. - O artigo 27.º do Regulamento Geral do Ruído prevê sanções para quem perturbe o sossego público. Evite confrontos ou represálias - Manter a calma protege a sua posição e evita escalar o conflito. - Não responda com barulho ou provocações — isso pode prejudicar a sua credibilidade.
🎯 Essência O combate político faz‑se reforçando instituições, criando enquadramento legal claro, organizando discurso público e mobilizando cidadãos em torno da laicidade e dos direitos fundamentais. 🧭 Estratégias políticas (democraticamente válidas) 1. Defesa ativa da laicidade Propor legislação que clarifique limites entre religião e política. Reforçar fiscalização da CNE sobre intervenções religiosas em campanhas. Exigir que políticas públicas tenham fundamentação técnica, não doutrinária. 2. Transparência e escrutínio Defender auditorias regulares a financiamentos de organizações religiosas. Propor registo obrigatório de lobbies religiosos, como existe noutros países europeus. Exigir divulgação pública de apoios institucionais a candidatos. 3. Mobilização cívica laica Criar movimentos ou plataformas que defendam Estado laico e direitos civis. Incentivar partidos a assumir compromissos explícitos com laicidade. Organizar debates públicos sobre separação entre fé e governo. 4. Contraponto argumentativo baseado em evidência Responder a propostas religiosas com dados científicos, estudos e impacto social. Evitar confronto identitário; focar sempre em políticas públicas concretas. Promover fact-checking independente. 5. Educação cívica e literacia democrática Apoiar programas escolares e comunitários sobre funcionamento das instituições. Reduzir dependência de discursos moralistas ou simplistas. Incentivar participação informada em assembleias municipais e debates locais. 6. Regulação do uso político de espaços religiosos Defender aplicação rigorosa das regras que proíbem propaganda eleitoral em cultos. Reforçar penalizações quando líderes religiosos usam influência espiritual para fins partidários. 📌 O ponto crítico O combate é político, institucional e argumentativo — nunca religioso ou identitário. O objetivo é proteger a democracia, não atacar crentes.
O conceito de mulher progressista fundamenta-se na procura pela igualdade, autonomia e transformação social, questionando normas e papéis tradicionais de género que historicamente limitaram a atuação feminina na sociedade. Embora não exista um perfil único — já que as trajetórias e realidades variam amplamente —, é possível identificar atributos e valores centrais frequentemente associados a esta perspetiva. Principais Atributos e Valores Autonomia e Autodeterminação: Dá prioridade à independência financeira, emocional e intelectual. Defende a liberdade de escolha sobre a própria carreira, vida pessoal, maternidade e corpo. Defesa da Igualdade de Direitos: Luta ativamente pela equidade entre géneros em todas as esferas — da equiparação salarial no mercado de trabalho à divisão justa das tarefas domésticas. Consciência Social e Interseccionalidade: Compreende que a agenda feminina não é isolada. Tem em consideração como o género se cruza com questões de raça, classe social, orientação sexual e acessibilidade. Questionamento de Papéis Tradicionais: Desconstrói expetativas históricas impostas às mulheres, rejeitando a ideia de que o casamento ou a maternidade sejam destinos obrigatórios para a realização pessoal. Sororidade e Rede de Apoio: Valoriza a solidariedade entre mulheres em vez da rivalidade, procurando fortalecer o coletivo através da empatia e do incentivo mútuo. Pensamento Crítico e Abertura à Aprendizagem: Mantém uma postura de questionamento perante dogmas, valorizando a educação, a ciência e a evolução constante de ideias. Envolvimento Social e Ambiental: Tende a apoiar causas coletivas, desde a defesa dos Direitos Humanos até à sustentabilidade ambiental e à justiça climática. Em essência: A mulher progressista orienta o seu percurso pela liberdade de ser quem escolheu ser e pela construção de uma sociedade mais justa e plural para todas as pessoas.
O Dr. Israel Shahak disse: «Os nazis fizeram-me ter medo de ser judeu, e os israelitas fazem-me ter vergonha de ser judeu.» Esta citação, que se tornou viral, pertence ao Dr. Israel Shahak, uma figura notável da história contemporânea. Em criança, Shahak sobreviveu ao confinamento nazi no Gueto de Varsóvia e no campo de concentração de Bergen-Belsen, antes de se mudar para a Palestina sob Mandato Britânico em 1945. Mais tarde, serviu nas Forças de Defesa de Israel (IDF) e tornou-se um conceituado professor de Química Orgânica na Universidade Hebraica de Jerusalém. No entanto, é sobretudo recordado pelos seus vinte anos como presidente da Liga Israelita para os Direitos Humanos e Civis, onde se tornou um acérrimo crítico das políticas do Estado e do fundamentalismo religioso.
TÃO FELIZES QUE NÓS ÉRAMOS "Anda por aí gente com saudades da velha portugalidade. Saudades do nacionalismo, da fronteira, da ditadura, da guerra, da PIDE, de Caxias e do Tarrafal, das cheias do Tejo e do Douro, da tuberculose infantil, das mulheres mortas no parto, dos soldados com madrinhas de guerra, da guerra com padrinhos políticos, dos caramelos espanhóis, do telefone e da televisão como privilégio, do serviço militar obrigatório, do queres fiado toma, dos denunciantes e informadores e, claro, dessa relíquia estimada que é um aparelho de segurança. Eu não ponho flores neste cemitério. Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos. No meio havia meia dúzia de burgueses esclarecidos, exilados ou educados no estrangeiro, alguns com apelidos que os protegiam, e havia uma classe indistinta constituída por remediados. Uma pequena burguesia sem poder aquisitivo nem filiação ideológica a rasar o que hoje chamamos linha de pobreza. Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós. Numa rua de cidade havia uma mercearia e uma taberna. Às vezes, uma carvoaria ou uma capelista. A mercearia vendia açúcar e farinha fiados. E o bacalhau. Os clientes pagavam os géneros a prestações e quando recebiam o ordenado. Bifes, peixe fino e fruta eram um luxo. A fruta vinha da província, onde camponeses de pouca terra praticavam uma agricultura de subsistência e matavam um porco uma vez por ano. Batatas, peras, maçãs, figos na estação, uvas na vindima, ameixas e de vez em quando uns preciosos pêssegos. As frutas tropicais só existiam nas mercearias de luxo da Baixa. O ananás vinha dos Açores no Natal e era partido em fatias fininhas para render e encharcado em açúcar e vinho do Porto para render mais. Como não havia educação alimentar e a maioria do povo era analfabeta ou semianalfabeta, comia-se açúcar por tudo e por nada e, nas aldeias, para sossegar as crianças que choravam, dava-se uma chucha embebida em açúcar e vinho. A criança crescia com uma bola de trapos por brinquedo, e com dentes cariados e meia anã por falta de proteínas e de vitaminas. Tinha grande probabilidade de morrer na infância, de uma doença sem vacina ou de um acidente por ignorância e falta de vigilância, como beber lixívia. As mães contavam os filhos vivos e os mortos era normal. Tive dez e morreram-me cinco. A altura média do homem lusitano andava pelo metro e sessenta nos dias bons. Havia raquitismo e poliomielite e o povo morria cedo e sem assistência médica. Na aldeia, um João Semana fazia o favor de ver os doentes pobres sem cobrar, por bom coração. Amortalhado a negro, o povo era bruto e brutal. Os homens embebedavam-se com facilidade e batiam nas mulheres, as mulheres não tinham direitos e vingavam-se com crimes que apareciam nos jornais com o título ‘Mulher Mata Marido com Veneno de Ratos’. A violação era comum, dentro e fora do casamento, o patrão tinha direito de pernada, e no campo, tão idealizado, pais e tios ou irmãos mais velhos violavam as filhas, sobrinhas e irmãs. Era assim como um direito constitucional. Havia filhos bastardos com pais anónimos e mães abandonadas que se convertiam em putas. As filhas excedentárias eram mandadas servir nas cidades. Os filhos estudiosos eram mandados para o seminário. Este sistema de escravatura implicava o apartheid. Os criados nunca dirigiam a palavra aos senhores e viviam pelas traseiras. O trabalho infantil era quase obrigatório porque não havia escolaridade obrigatória. As mulheres não frequentavam a universidade e eram entregues pelos pais aos novos proprietários, os maridos. Não podiam ter passaporte nem sair do país sem autorização do homem. A grande viagem do mancebo era para África, nos paquetes da guerra colonial. Aí combatiam por um império desconhecido. A grande viagem da família remediada ao estrangeiro era a Badajoz, a comprar caramelos e castanholas. A fronteira demorava horas a ser cruzada, era preciso desdobrar um milhão de autorizações, era-se maltratado pelos guardas e o suborno era prática comum. De vez em quando, um grande carro passava, de um potentado veloz que não parecia sujeitar se à burocracia do regime que instituíra uma teoria da exceção para os seus acólitos. O suborno e a cunha dominavam o mercado laboral, onde não vigorava a concorrência e onde o corporativismo e o capitalismo rentista imperavam. Salazar dispensava favores a quem o servia. Não havia liberdade de expressão e o lápis da censura aplicava-se a riscar escritores, jornalistas, artistas e afins. Os devaneios políticos eram punidos com perseguição e prisão. Havia presos políticos, exilados e clandestinos. O serviço militar era obrigatório para todos os rapazes e se saíssem de Portugal depois dos quinze anos aqui teriam de voltar para apanhar o barco da soldadesca. A fé era a única coisa que o povo tinha e se lhe tirassem a religião tinha nada. Deus era a esperança numa vida melhor. Depois da morte, evidentemente." Clara Ferreira Alves in "A Pluma Caprichosa", jornal Expresso.
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