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Culés News Br

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A política não pode ser nem espetáculo nem desculpa para travar o essencial: transparência, responsabilização e defesa do serviço público. Concordo que o ministro tem de esclarecer tudo de forma clara e rápida — se houve irregularidades, que se apurem responsabilidades judicial e politicamente; se não houve, que a investigação o prove. Mas não confio no oportunismo do Chega: uma moção de censura pode ser legítima, mas não pode servir só para espetáculos de rua e para legitimar a agenda da extrema-direita. O PS também erra ao minimizar: dizer que “o mais importante são os fogos” não pode ser sinónimo de fechar os olhos a potenciais irregularidades. Paralelamente, estamos perante sinais claros de prioridades invertidas: atribuem-se 3 mil títulos profissionais a novos enfermeiros e, no entanto, os hospitais não podem contratá‑los. Isto é inaceitável. Exigimos contratos estáveis já — investimento no SNS, condições de trabalho dignas e fim das restrições orçamentais que impedem reforçar cuidados básicos. A TAP merece apoio estratégico e robusto, mas a solução não é subsidiar indefinidamente modelos que não acelerem a transição ecológica: reduzir custos com combustíveis passa também por apostar em renovação da frota, rotas mais eficientes e políticas europeias de combustíveis sustentáveis. Exigimos três coisas concretas: investigação independente e transparente sobre o caso do ministro; contratação imediata e estável dos enfermeiros; e um plano público-privado para apoiar a TAP na transição energética, sem sacrificar trabalhadores. A política tem de servir as pessoas — não o espetáculo, não os interesses partidários nem o lucro de curto prazo.