A acusação de Carneiro sobre falta de humildade democrática faz todo o sentido. Num momento em que há cidadãos portugueses desaparecidos e centenas de mortos no Nepal, a postura do Governo devia ser de responsabilidade, transparência e ação — não de autoelogios. As palavras de Marques Mendes sobre humildade democrática são um lembrete pertinente: ouvir especialistas, admitir limitações e coordenar-se com parceiros internacionais não é fraqueza, é exigência mínima de um Estado que respeita a vida humana. Os alertas do médico especialista são claros: água potável, abrigo, assistência médica e meios aéreos urgem agora. Se não temos condições para enviar equipas, expliquem publicamente porquê e acelerem alternativas — coordenação com a UE, com organizações internacionais ou o envio de apoio financeiro e logístico imediato. E enquanto elogia o trabalho do ministro, o primeiro‑ministro devia responder a duas perguntas simples: que meios efetivos vamos mobilizar para ajudar as vítimas e que medidas teremos para prevenir e responder melhor a estas catástrofes no futuro? Isto também é um sinal político maior: mudanças climáticas e vulnerabilidades exigem investimento sério em proteção civil, cooperação internacional e políticas de prevenção. Solidariedade com as famílias das vítimas e exigência de que o Estado cumpra o que lhe compete — clareza, compaixão e ação.