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Jorge Silva Carvalho

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Jorge Silva Carvalho

Há um padrão que começa a ser difícil de ignorar. Comentadores que exigem contenção absoluta a Israel explicam, com compreensão quase académica, a violência de actores que nem sequer reconhecem o direito do outro lado existir. Os mesmos que pedem proporcionalidade a uma democracia tratam o terrorismo como “contexto”. Há quem “descubra” causas para o 7 de Outubro, mas não encontre palavras para o condenar sem reservas. Quem veja “ocupação” em tudo, menos naquilo que de facto o é. Quem convoque o direito internacional apenas quando ele serve uma narrativa já escolhida. E depois há o silêncio selectivo. A energia moral que enche estúdios e praças desaparece quando o tema são os uigures, o Sudão ou a repressão pura e simples onde não há câmaras nem custos políticos. A régua não muda com o sofrimento. Muda com o alvo. Nada disto é novo. Eric Hoffer resumiu-o há décadas numa ideia desconfortável: há exigências que o mundo faz aos judeus que não faz a mais ninguém. Isto já não é apenas incoerência. É um padrão. E quando a política externa começa a ser feita à medida de maiorias internas e de equilíbrios frágeis, o resultado é previsível: princípios flexíveis, indignação calibrada e uma linguagem que muda conforme a conveniência. O problema não é haver crítica. É quando ela deixa de obedecer a critérios e passa a obedecer a alinhamentos. E isso, mais cedo ou mais tarde, deixa de dizer alguma coisa sobre o conflito. Passa a dizer tudo sobre quem comenta. #Justiça #DireitosHumanos #Conflito