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Copa Além da Copa

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Copa Além da Copa

Chamado pela senadora paraguaia de “camaronês colonizado fingindo ser francês”, entre várias outras ofensas racistas, Kylian Mbappé não ficou quieto. Nas redes sociais, escreveu: “você é uma mulher desprezível e indigna de sua função (...) nunca deixarei que pessoas como ela tenham a liberdade de propagar seu ódio e seu racismo pelo mundo”. É algo recorrente com os jogadores franceses, acusados em várias partes de “franceses falsos” ou “africanos”, com o uso de suas raízes no continente-mãe como um pejorativo. Mas Mbappé nunca negou ou escondeu essa origem, pelo contrário. Em 2023, durante suas férias, fez sua 1ª visita a Camarões já como uma estrela de futebol. Foi a Djébalè, onde nasceu seu pai, uma ilha no estuário do rio Wouri, próxima a Douala, capital financeira do país. Vestiu-se com trajes do povo Sawa, o povo da água, que assim se reconhece porque, segundo sua crença, os habitantes da ilha são descendentes da união entre uma sereia e um homem. Nessa ilha mística, Wilfrid, pai de Kylian, nasceu. Mas ele próprio não viveu ali: seus pais o levaram pra França quando tinha apenas um ano de idade, em busca de uma vida melhor. Ele se assentou na banlieue, a periferia, em Bondy, no departamento de Seine-Saint-Denis, considerado o mais pobre e de população mais jovem da França. Ali, enquanto treinava o time de futebol local, conheceu Fayza Lamari, filha de um casal argelino e jogadora de handebol. Tiveram dois filhos, Kylian (1998) e Ethan (2006), cada um nascido num ano de Copa do Mundo em que a França chegou à final. Anos mais tarde, Wilfrid relembraria ao L’Équipe como foi treinar o próprio filho no time de Bondy. Kylian se destacava e ninguém nem sabia que era filho do técnico, até que um dia o menino se distraiu e o chamou de pai: “todas as outras crianças se viraram e disseram: ‘você está falando bobagem, Wilfrid não é seu pai’”, contou aos risos. Pressionado a ser um grande desde a adolescência (“eu vivo, respiro e durmo futebol”, disse ao jornal Le Parisien ao completar 18 anos), Kylian Mbappé mantém contato com suas raízes na África. Mas é francês. #KylianMbappé #Raízes #Racismo

Após a classificação do Egito contra a Austrália, nos 16 avos de final, o técnico egípcio Hossam Hassan exibiu uma bandeira da Palestina. Além de ambos serem povos árabes e de maioria muçulmana, são vizinhos. “Dedico essa vitória aos povos egípcio e palestino, esses povos gentis e honrados”, afirmou Hassan, que é ainda o maior artilheiro da história da seleção egípcia. Antes do jogo contra a Argentina, ao ser questionado sobre o gesto, voltou a falar que é preciso “deixar que o povo palestino viva”, chamando de “vergonha para o mundo inteiro” a situação de Gaza. Essa conexão especial entre Egito e Palestina (em especial Gaza, que faz fronteira com o território egípcio) tem rendido alívio e comemorações pelos triunfos na Copa na região, ainda devastada pelas ações de Israel após outubro de 2023. Os israelenses enfrentam um processo por genocídio contra os palestinos na Corte Internacional de Justiça. Céticos pró-Israel lembram do fato de que o Egito costuma fechar a passagem de Rafah, impedindo que palestinos deixem Gaza para se refugiar no país. Tem sido assim desde 2007, quando o Hamas tomou o controle de Gaza. O Egito vê o grupo como um espelho ideológico da Irmandade Muçulmana, organização que qualifica como terrorista. Mas é preciso não confundir o governo do Egito, aliado dos EUA, com seu povo - até porque o atual governo de Abdel Fattah el-Sisi é uma ditadura militar que tem cometido sucessivos abusos de direitos humanos. A causa palestina é bastante popular no Egito, que chegou a lutar guerras como a dos Seis Dias e a do Yom Kippur contra Israel, ao lado de outros países árabes. Desde 1979, porém, o Estado egípcio selou a paz com os israelenses, tornando-se o primeiro país árabe a fazê-lo. Dois anos depois, isso custou a vida do presidente Anwar Sadat, sendo uma das razões pro atentado que o matou. Mesmo antes de ter a bandeira exibida pelo técnico egípcio, os palestinos de Gaza já se reuniam pra torcer pelo Egito nessa Copa em tendas, em meio aos destroços causados nos últimos anos. É um escape bem-vindo da realidade, e o gesto de Hassan renova o laço entre esses povos irmãos. #Egito #Palestina #Copa2023

Só passando aqui pra dizer que policiamento de torcida pra "seleção do bem" na Copa do Mundo é tão bobão quanto "meu time é do bem e seu time é do mal". #CopaDoMundo #Futebol #Torcida

- Espanha e Áustria vão jogar hoje. - Contra quem? Essa piadinha, que já está rolando há alguns dias, faz referência à Casa de Habsburgo, uma das mais influentes famílias nobres da história do Ocidente. No auge, ela chegou a ter o controle da Espanha e de todo seu império colonial, bem como do Sacro Império Romano-Germânico. Originados no que hoje é a Suíça, os Habsburgos expandiram seus domínios ao longo dos séculos por meio de casamentos e uniões dinásticas. No fim do século XV, Filipe, herdeiro dos Habsburgos, se casou com Joana de Castela, herdeira da Espanha. O filho deles, Carlos V, foi quem unificou os títulos de Sacro Imperador Romano e Rei da Espanha. Em 1556, reconhecendo a dificuldade de governar todo esse imenso território, ele tomou uma série de ações que resultaram na divisão das posses entre os Habsburgos Espanhóis, comandados por seu filho, e os Habsburgos Austríacos, comandados por seu irmão. Na Espanha, eles governaram até 1700, quando o rei Carlos II não deixou herdeiros, e a família real que assumiu foram os Bourbon. Estão no trono até hoje. O lado austríaco continuou no poder por muitos séculos (por meio de um ramo secundário, os Habsburgo-Lorena), mesmo com o fim do Sacro Império Romano, e ajudou a moldar a história da Áustria e da Europa Central. E não só deles: em 1817, Maria Leopoldina da Áustria, uma Habsburgo, se casou com Dom Pedro, herdeiro do trono de Portugal, que declarou a independência do Brasil e se tornou o 1º imperador do país. Quando o Brasil se tornou independente, foi criada a bandeira imperial, com o retângulo verde simbolizando a Casa de Bragança, de Portugal, e um losango amarelo representando a cor dos Habsburgo, em homenagem ao casal. A bandeira foi alterada após a proclamação da república, mas essas partes permaneceram. A seleção brasileira, que iniciou sua trajetória no futebol jogando de branco, adotou o amarelo da bandeira após a trágica derrota pro Uruguai na Copa do Mundo de 1950. E foi assim que, sem querer, a influência dos Habsburgos se espalhou tanto que ajudou a moldar a camisa de futebol mais famosa e vitoriosa da história. #Futebol #História #Habsburgo

Essa bomba do GE é mais uma prova de que o futebol vive de passar pano e encobrir abusadores e um enorme banho de água fria no que era a história mais legal da Copa do Mundo. #futebol #CopaDoMundo #justiça

O novo cerimonial pré-jogo da Copa do Mundo inclui todos os jogadores em campo e bandeiras enormes colocadas no chão no momento dos hinos nacionais. Quanto às bandeiras, porém, há duas exceções: as de Arábia Saudita e Iraque precisam ficar suspensas. Mas por que? A resposta é simples: tanto a bandeira saudita quanto a iraquiana contêm escritos sagrados islâmicos, e é considerado extremamente desrespeitoso no islã colocar escritos sagrados no chão, onde as pessoas pisam. Na bandeira saudita, há a Shahada, a primeira das cinco declarações de fé do Islã, que diz "testemunho que não há divindade além do Deus Único e que Mohammed é o seu servo e mensageiro". O país é constituído sobre o wahabismo, uma interpretação radical da religião que foi usada pela família bin Saud, ainda hoje mandatária do local, em sua formação. O Iraque, por sua vez, conta em sua bandeira com a inscrição "Allahu Akbar", traduzida como "Deus é grande". Ela foi adotada em 2008, com a queda do regime baathista de Saddam Hussein. As palavras substituíram as três estrelas símbolo do baathismo na porção central da bandeira. Para os muçulmanos, é considerado um desrespeito ter inscritos sagrados ou o nome de Alá no chão ou em superfícies que são pisadas pelas pessoas. O ato simboliza "sujar o nome de Deus", já que locais que são pisados ou até sentados têm um aspecto de sujeira. Antes de aprovar a mudança do cerimonial pré-jogo, a FIFA consultou as federações nacionais sobre a nova disposição das bandeiras. Arábia Saudita e Iraque informaram que colocar suas bandeiras no chão é um ato de desrespeito, e por isso, nas partidas envolvendo essas equipes tanto as suas bandeiras, quanto as dos países adversários, ficam suspensas. #CopaDoMundo #Futebol #CulturaIslâmica

E a Argélia se coloca em posição pra um incrível jogo de compadres com a Áustria na terceira rodada. Que ironia do destino maravilhosa. #Futebol #Jogo #Argélia

Isso é muito legal e a identificação das torcidas com as seleções é sempre um show. Dito isso, é uma vergonha que Senegal (e Costa do Marfim, Haiti e Irã) não possam ter torcedores vindos dos seus países nos EUA. É uma mancha eterna na história das Copas, não nos esqueçamos. #CopaDoMundo #Futebol #Solidariedade

Demorou, mas voltamos ao problema da Copa do Mundo de Clubes. Triste que os EUA gastam tanto dinheiro em bomba e aí não sobra pra fazer para-raios. #CopaDoMundo #EUA #ProblemasSociais

Toda Copa algum bobão faz a lista dos "jogos inassistíveis", toda Copa alguns desses jogos são os mais legais. Deuses do futebol punindo quem se recusou a ver esse belíssimo Irã x Nova Zelândia. #Copa #Futebol #JogosInassistíveis

A gente se acostumou a chamar a prática de usar grandes eventos esportivos pra limpar a imagem internacional do seu país de "sportswashing". Mas e quando você usa um evento pra piorar sua imagem, como os EUA estão fazendo? Precisamos de um nome novo. Sportshitting? #Sportswashing #EventosEsportivos #ImagemInternacional

A resposta da FIFA aos repetidos abusos cometidos pelos EUA antes mesmo da Copa do Mundo começar é o mais ensurdecedor silêncio. E ninguém pode ficar surpreso. Se ainda existia alguma dúvida de que a entidade que controla o futebol deixaria o governo Trump fazer o que quisesse com o Mundial, ela foi embora com a declaração de que "não se envolve em assuntos de imigração" após os EUA recusarem a entrada de Omar Abdulkadir Artan, árbitro somali selecionado para a Copa, no país. Bem diferente do que foi a FIFA em outras eras. Em 2014, virou até piada o "padrão FIFA" aqui no Brasil. Para sediar uma Copa, era preciso entregar às chaves do país ao órgão superior do futebol. Qualquer desacordo era motivo para comentários depreciativos dos chefões da FIFA ou ameaças de mudança de sede. Mudança de sede, aliás, aconteceu para a Copa do Mundo de 1986, quando a Colômbia desistiu de receber a competição ao entender que não conseguiria atender as exigências da FIFA. Mas os tempos são outros. A FIFA passou a priorizar nações ricas e com alto potencial consumidor, mesmo que com governos antidemocráticos. A sequência de mundiais no Catar em 2022 e na América do Norte em 2026 representa escolhas muito duvidosas que podem ser explicadas apenas pelo dinheiro. A FIFA ignorou todas as preocupações sobre as condições dos trabalhadores de construção civil e infraestrutura antes da Copa do Catar, mesmo com denúncias de trabalho análogo à escravidão. Na semana da partida inaugural, anúnciou de repente que proibiria a venda de álcool nos estádios, agradando à monarquia catari, mas causando rusgas, inclusive, com um importante patrocinador. Agora, porém, a corda foi rompida de vez. Gianni Infantino, presidente da FIFA, construiu uma relação muito próxima com Donald Trump, inclusive criando para ele um "prêmio da paz". Mas a FIFA ainda mantinha que era impensável que atletas ou membros de delegações não entrassem nos EUA para a Copa do Mundo, e afirmou ainda em 2025 que "é esperado da sede facilitar o processo de emissão de vistos, entrada e hospedagem". Palavras ao vento. Os EUA se recusaram a hospedar a seleção do Irã, deram tratamentos considerados inaceitáveis às seleções de Senegal e Uzbequistão e, na escalada mais brutal de sua hostilidade, recusam um árbitro premiado, escolhido pela FIFA como um dos aptos para apitar em sua principal competição. Não houve nenhuma palavra crítica por parte de Infantino ou da FIFA, muito menos ação mais dura. Ao contradizer suas próprias afirmações recentes, a FIFA e Infantino abrem o tapete vermelho para Trump. Quais serão os próximos abusos cometidos? #FIFA #CopaDoMundo #DireitosHumanos

Bateu uma dúvida aqui... O que será que a galera do "não se mistura futebol e política" tem a dizer sobre jogador interrogado por 7 horas no aeroporto e árbitro barrado de entrar no país-sede da Copa do Mundo? #Futebol #Política #CopaDoMundo