Descobri quem está atacando a candidatura da Tebet e da Marina. Então, vamos falar de uma coisa que parte dessa esquerda que se diz radical precisa entender: estamos vivendo uma eleição em que o Senado é central para o equilíbrio democrático do país. Atacar Marina Silva e Simone Tebet porque elas não correspondem ao ideal de pureza ideológica de determinados setores da esquerda é uma irresponsabilidade política. Não importa se Marina é da Rede ou se Tebet é do PSB. O que importa, nesta eleição, é de que lado elas estão. As duas estão na chapa que apoia Lula e disputam justamente as duas vagas de São Paulo para o Senado. Hoje, inclusive, Marina e Tebet aparecem entre os nomes mais competitivos dessa disputa. O governo Lula foi, desde o início, um governo de reconstrução e resistência depois de quatro anos de destruição institucional, social e econômica. E agora não estamos discutindo apenas mais quatro anos de governo. Estamos discutindo qual país vai existir depois de Lula. Porque é preciso compreender uma coisa muito séria: Lula não ficará para sempre. Não existe hoje outra liderança no campo progressista brasileiro com a mesma força eleitoral, política e popular. Portanto, reelegê-lo em 2026 não pode significar simplesmente colocar Lula novamente na Presidência e entregar o Congresso para os adversários. Presidente sem Congresso vira presidente cercado. É exatamente por isso que o Senado importa tanto. Em 2026, cada estado elege dois senadores. E é o Senado que participa da aprovação de autoridades e que tem competência constitucional para processar pedidos de impeachment contra ministros do STF. A composição dessa Casa pode definir o equilíbrio entre os Poderes nos próximos anos. Em São Paulo, Marina Silva e Simone Tebet são candidatas da mesma aliança de Lula e Haddad. Haddad, inclusive, tem defendido publicamente o voto em Tebet diante das críticas de setores da esquerda. Então precisa acabar essa ideia de que eleição é concurso de pureza ideológica. Não é. Neste momento, eleição também é correlação de forças. Se existe um deputado de centro democrático que vai defender a Constituição, respeitar o resultado das urnas e não trabalhar para destruir as instituições, ele pode ser muito mais importante para a democracia do que deixar a cadeira cair nas mãos da extrema direita porque alguém decidiu que ninguém é “de esquerda o suficiente”. E São Paulo é decisivo. São duas vagas. Marina e Tebet são competitivas, mas a disputa está apertada, com candidatos da direita também próximos delas nas pesquisas. Por isso, atacar Marina e Tebet neste momento não torna ninguém mais revolucionário. Na prática, pode ajudar a eleger seus adversários. A esquerda precisa entender a dimensão histórica dessa eleição. Primeiro, preservar a democracia. Primeiro, impedir a volta da extrema direita ao poder. Primeiro, reelegê-lo com uma base parlamentar capaz de governar. Depois a gente disputa os próximos avanços. Porque não adianta eleger Lula presidente e entregar o Senado para quem quer usar o Senado contra o próprio governo, contra o STF e contra as instituições democráticas. Essa eleição não é apenas sobre o próximo mandato de Lula. É sobre os próximos dez, vinte anos do Brasil. E é justamente por isso que São Paulo precisa entender o tamanho da responsabilidade que tem nas mãos. #Eleições2026 #Democracia #SãoPaulo





