Joesley Batista, um dos controladores da JBS, reuniu-se com Donald Trump no Salão Oval em 20 de agosto, menos de duas semanas atrás. Segundo o Wall Street Journal, defendeu a retirada de uma tarifa de 26% sobre a carne brasileira para baratear o produto nos Estados Unidos. No dia seguinte, Trump anunciou uma cota temporária de 300 mil toneladas por 90 dias, sem a tarifa mais elevada cobrada fora da cota - o jornal afirma que Joesley ajudou a moldar a decisão. A cronologia é irrefutável; reunião no dia 20, anúncio no dia 21 e uma concessão que beneficia o setor liderado mundialmente pela JBS. A JBS está entre as quatro maiores processadoras sob investigação antitruste do Departamento de Justiça americano. Juntas, elas controlam cerca de 85% do processamento de carne bovina nos EUA - o próprio Trump chamou o mercado de “monopólio”. A abertura às importações também revoltou pecuaristas e republicanos, que acusam o presidente de sacrificar o produtor americano. Nove dias depois, em 29 de agosto, André Esteves, do BTG Pactual, passou 45 minutos com Trump em seu clube de golfe. Avisou o Planalto e tratou de energia, minerais críticos, data centers, Venezuela e da eleição brasileira. De volta ao Brasil, Esteves foi jantar com Lula no Alvorada nesta segunda-feira, 31 de agosto. Os irmãos Batista estavam na mesma mesa e já haviam ajudado a articular um encontro entre Lula e Trump. Os dois bilionários reaparecem como pontes informais entre os presidentes, embora não tenham cargo diplomático ou mandato público. Os fatos, revelam um corredor paralelo - procuram Trump, avisam o Planalto, misturam interesses nacionais e privados e retornam ao Alvorada. A conversa de Joesley resultou na redução tarifária; o resultado da missão de Esteves ainda poderá aparecer. Enquanto oligarcas cruzam o corredor Brasília–Washington para reduzir tarifas e ampliar negócios, o brasileiro, do lado de fora, paga impostos, juros e comida cara. Lula governa para quem? #JBS #Trump #Lula
