É verdade: o modelo televisivo de debate político envelheceu, e envelheceu mal. Tornou-se peça de museu, coisa pesada, antiquada, superficial até a medula. Ao lado da agilidade quase selvagem das redes sociais, onde o candidato fala direto ao eleitor, sem intermediários, sem firulas, sem a pompa ridícula do protocolo, o debate televisivo parece um daqueles programas de auditório italianos dos anos 70, onde só a casca importa, o verniz, a pose. Vem no pacote o visual nauseante dos estúdios gigantescos, as luzes frias que matam qualquer humanidade, os púlpitos de acrílico que parecem retirados de uma clínica odontológica de luxo. A parafernália enjoativa de sempre. Pois bem. Tudo isso é verdade. E, no entanto, eu não dispensaria um bom debate em 2026. O motivo é simples e, para os que ainda teimam em não enxergar o quase ofensivo de tão óbvio, aqui vai a explicação: em 2026, Bolsonaro será bom de debate. Muito bom, aliás. Flávio é craque nisso. As razões são incontestáveis e até irritantes de tão claras: jovem, mas já curtido pela política; culto sem ostentação; calmo como um jogador de xadrez que já leu o adversário; articulado; de uma simpatia que desarma; e, o que é raro nestas paragens, sabe colocar o dedo na ferida com a elegância fria de um estadista. Jair, o pai, com todo o respeito, era ruim de debate. Mas a coisa mudou. A herança, desta vez, parece ter vindo com juros. Que venham, portanto, os debates. Quanto mais, melhor. #DebatePolítico #Televisão #Eleições2026