Na televisão russa, a Rossiya 24 transmite Igor Sechin, presidente da Rosneft, aliado próximo de Vladimir Putin e um dos homens mais poderosos do setor energético russo. Ele discursava durante o VIII Fórum Empresarial de Energia Rússia - China, realizado em Vladivostok nesta sexta-feira, 4 de setembro. Sechin exaltava a força energética russa, a parceria estratégica com Pequim, a capacidade de Moscou de abastecer a China e uma relação bilateral que, segundo ele, alcançou níveis sem precedentes. Chegou a encerrar sua fala citando Mao Tsé-Tung: “o vento do Leste prevalece sobre o vento do Oeste”. Enquanto isso, em Sochi, um russo assiste à transmissão ao vivo, ouve aquela narrativa falaciosa e ironiza: “tudo parece funcionar, tudo parece fantástico.” Então vira a câmera para a janela e mostra uma imensa coluna de fumaça. Era a região de Adler, onde uma instalação petrolífera da Lukoil havia sido atingida em meio a mais uma ofensiva de drones ucranianos. O homem que grava resume o absurdo: “em quem acreditar? No que seus próprios olhos estão vendo ou no que a televisão está dizendo?” Esse vídeo vale mais do que qualquer discurso sobre propaganda.Porque esse método não pertence apenas à Rússia. Regimes autoritários e governos cada vez mais dependentes de controle narrativo aprenderam a fabricar uma realidade paralela - Rússia, China e Brasil conhecem muito bem esse mecanismo. Selecionam números, escondem crises, repetem discursos otimistas, atacam quem contradiz a versão oficial e tentam convencer a população de que aquilo que ela vê, sente e vive não corresponde à “verdade” apresentada pelo regime. Mas existe algo que nenhuma máquina de propaganda controla para sempre: a realidade. E, no final, a pergunta do cidadão russo serve para qualquer um: em quem acreditar - na propaganda ou nos próprios olhos? Eu fico com a segunda opção. #Propaganda #Realidade #Autocracia





