☢️ Reflexão da Cooperativa: e agora Henri, como vai ser para lá do teu silêncio?💔 Esta é a dor que não se explica. Fica para sempre, dentro de portas, nas paredes, nas coisitas do Henri absurdamente intactas, no quarto que continua a parecer quarto mas já é museu. A cama feita, a roupa guardada, fotografias onde ainda há futuro, vídeos com sorriso, mensagens que ficaram presas no passado. Tudo continua ali, insolentemente normal, enquanto o mundo contunua a rodopiar. O Henri era um filho, um irmão, uma vida inteira ainda por gastar. Tinha manhãs por viver, amores por encontrar, erros por cometer, conversas por ter, viagens por fazer, aniversários com velas para soprar, gargalhadas por dar sem saber que alguém, um dia, daria tudo para voltar a ouvi-las mais uma vez. Levava dentro dele essa coisa que todos temos, chama-se fututo. O dele, foi roubado. ⚠️Há uma culpa com rosto, faca e condenação. Ok. Há outra culpa, mais funda, muito mais viscosa, cobarde, escondida. A culpa do Estado. A culpa da autoridade. A culpa daqueles que chegaram investidos do dever de proteger e diante de um miúdo a afogar-se no seu próprio sangue, escolheram antes o reflexo do que está escrito no manual, seguiram a diretriz contra a racionalidade dos factos. É difícil escrever isto sem sentir um vómito profundo. ➡️➡️Um filho de alguém no chão. Ferido. A morrer. A dizer que tinha sido esfaqueado. A lutar por ar, por segundos, por uma hipótese mínima de continuar neste mundo. A resposta? Algemar o rapaz que sangra. Algemar a vítima enquanto a vida lhe foge. Duvidar, não ver. Fazer do filho de alguém,moribundo, um mero risco administrativo.⬅️⬅️ E porquê? Porque a máquina, foi dobrada às palavras sagradas do nosso tempo, do fantasma de uma acusação de racismo, muito mais do que o sangue que escorre no chão. Por isso o tema não é apenas o luto, é muito mais do que isso, é estar perante o inaceitável. Uma família até pode tentar compreender o mal absoluto de um criminoso. Não aceitar, nunca. Mas compreender que há homens capazes de matar. O que uma mãe ou pai não consegue integrar dentro de si é a hipótese do Estado, que promete ordem, justiça e segurança, ter estado ali para carimbar a morte. Este é pois o crime que continua depois do crime. Não há sociedade decente que passe por cima disto sem se olhar ao espelho. Pode haver condenação, investigação ou umas palavras ocas do Starmer. Nada disso vai devover quele minuto perdido. Nada vai devolver o ar que faltou ao puto. O assassino vai cumprir pena. Mas a falha do Estado continua cá fora, protegida pelo nevoeiro. O assassino teve a sentença. A máquina, na melhor das hipóteses, uns relatórios. E entre uma coisa e outra fica uma família inteira, condenada a viver num mundo onde o filho já não entra nas contas da matemática do amanhã. Visto o vídeo deste tweet todo? Não é só uma bela montagem. São os restos luminosos de uma vida roubada. Antes do sangue, havia vida. Antes do Estado falhar, havia uma família que acreditava, como todos acreditamos até sermos destruídos, que a autoridade existe para nos proteger primeiro e explicar depois. Esse pacto foi quebrado para os britânicos. Não basta ao Estado dizer que se lamenta muito. Tem de carregar a vergonha. Tem de sentir o peso moral daquilo que aconteceu. Esta é uma morte sem perdão possível. A minha lágrima por ti, pelos teus, Henri. o dono da cooperativa #Justiça #Luto #DireitosHumanos