O vídeo de Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o jatinho Legacy 650 de Daniel Vorcaro em 22/8/2025 é mais um batom na cueca do ministro do STF que Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e seus porta-vozes tentam blindar contra investigação. “Já usaram aviões e helicópteros”, havia respondido a Vorcaro em 16/7/2025 o dono da Prime You, Marcos Matta, responsável pela gestão do uso das aeronaves. “E deixa tudo à disposição”, havia orientado o dono do Banco Master, acrescentando: “E fica em contato com eles pra poderem usar”. Dito e - ao que tudo indica - feito. O sistema da impunidade agora se mobiliza, com suas perfomances histriônicas e pressões contra outros magistrados pelo WhatsApp e pelas colunas amigas na imprensa, porque a investigação confirmaria a gravidade das provas expostas até aqui. Os elos familiares entre tribunais superiores e escritórios de advocacia contratados por empresários interessados na atuação formal e informal de seus magistrados foram objeto do meu artigo “Cai o tráfico, fica a influência”, publicado em 14/3/2024, quase 1 ano e meio antes do desembarque da família Moraes registrado em vídeo. O título sintetizava como o desmantelamento da Lava Jato, que havia investigado e até denunciado familiares de magistrados por tráfico de influência nos respectivos tribunais, manteve aberto o caminho para a contratação da mesma influência pela via transversa dos serviços alegadamente advocatícios. A sabotagem da CPI da Lava Toga no Senado reforçou o passe-livre para novas temporadas de farra, como a do caso Master, a cujos capítulos temos assistido, dia após dia, com muita pipoca e indignação. O sistema então repete os mesmos métodos e expedientes, os mesmos truques retóricos e gritos, as mesmas ofensas e tentativas de intimidação, para varrer novamente a sujeira de seus integrantes para baixo do tapete e manter tudo como era antes, com direito a jatinhos, charutos e whisky Macallan; além dos cachês sigilosos de “palestras”, aprovados em 2016 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sob presidência de Ricardo Lewandowski. Um país que abre mão de investigar supostos e punir comprovados autores poderosos de infrações penais em prol da acomodação geral de interesses fica aprisionado em escândalos em série, insegurança jurídica, desigualdade perante a lei e atos violentos de extremismo, incapaz de ir além de voos de galinha em matéria de crescimento econômico. Vimos esse filme repetidamente ao longo das últimas décadas e não vale a pena ver de novo. Moraes, com sua combinação de soberba e tosquice, comprometeu o sistema como um todo, porque aparentemente tentou imitar e acabou escancarando práticas já adotadas por figuras mais sofisticadas, astutas e habilidosas do que ele na construção de fortuna familiar com o chamariz do cargo ocupado na cúpula dos Três Poderes. Até os promotores do lobby em eventos patrocinados por empresários que buscam proximidade com magistrados tiveram de interromper a programação normal e perder dinheiro em razão do desgaste decorrente das presepadas alexandristas. Moraes tem de ser investigado e afastado do STF por suas condutas não republicanas, antes que o presidente eleito ou reeleito costure outro acordão da casta, ou que o próprio ministro chegue, em setembro de 2027, à presidência da Corte e use a força do cargo em causa própria, como fazia na relatoria do inquérito das “fake news”. O batom na cueca de Moraes já é mais degradante para a “democracia” que o da estátua pintada com “perdeu, mané”. E derrotar um “mané” pela via constitucional é sempre melhor que pelo quebra-quebra. #STF #Justiça #Corrupção
