Daniel Vorcaro decidiu falar. Preso desde março, o dono do Banco Master prepara uma nova proposta de delação premiada e avisou a um interlocutor da família que fará uma “confissão pública”. A revelação foi publicada nesta sexta-feira, 4 de setembro pela coluna Radar, da VEJA. Segundo a revista, antes de denunciar ao gabinete do ministro André Mendonça o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por obstrução de Justiça e ameaças, Vorcaro manifestou o desejo de “explodir todo o sistema” e “passar a República a limpo”. O ponto mais explosivo é outro: a nova proposta estaria sendo construída por seus advogados com relatórios, dados extraídos de celulares, documentos bancários do exterior e uma infinidade de mensagens de poderosos. Se esse material existe, não estamos diante apenas da palavra de um investigado interessado em obter benefícios, mas de possíveis elementos objetivos, verificáveis e rastreáveis. Em depoimento gravado ao gabinete de Mendonça, em 27 de agosto, Vorcaro já havia afirmado que sua colaboração atingiria pessoas do “núcleo do atual governo” e episódios nos quais, segundo ele, foram cruzadas “linhas de moralidade” e “linhas de ilicitude”. Também alegou que pessoas com poder não querem que ele fale. PF e PGR rejeitaram propostas anteriores de colaboração. Agora, Vorcaro ameaça ultrapassar os filtros institucionais e levar sua versão diretamente ao público. Ainda não existe acordo assinado ou homologado, e os documentos mencionados pela VEJA não foram divulgados. Nenhuma acusação pode ser tratada como prova antes da devida apuração. Mas o caminho correto não é impedir o depoimento, destruir o material ou enterrar o caso: é preservar, periciar e investigar tudo, com independência e transparência. Se Vorcaro realmente abrir os arquivos, o Brasil poderá descobrir até onde chegaram os tentáculos do Banco Master - e quem teme aquilo que ele pode provar. #DelaçãoPremiada #Corrupção #Justiça




